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Elon Musk admite: X não é uma rede social para compartilhar links - e isso afeta como você se informa

Pessoa usando laptop em mesa de madeira com celular, jornais e óculos em ambiente doméstico.

Elon Musk deixa claro: o X não foi pensado como um lugar para distribuir links. Isso acaba influenciando, na prática, a forma como muita gente acompanha notícias na plataforma.

Mesmo que pareça que você ainda decide o que aparece no seu feed, o que chega até você é, sobretudo, resultado do algoritmo de cada serviço. No X (o antigo Twitter), o feed “Para você” organiza o consumo de informação de um jeito que, segundo uma análise recente do Nieman Lab, tende a desfavorecer publicações que trazem links. Na leitura do estudo, isso cria um cenário ruim para veículos que publicam matérias e dependem de tráfego para seus sites e de assinaturas pagas.

Como o Nieman Lab conduziu a análise

Para investigar o tema, o Nieman Lab pediu à inteligência artificial Claude que examinasse as 200 publicações mais recentes de 18 contas.

De um lado, estavam grandes veículos com conteúdo pago, como Bloomberg, The Wall Street Journal e The New York Times. Em outra frente, entraram meios sem muro de pagamento, como Al Jazeera English e Associated Press. Além disso, foram incluídas três contas que divulgam informações em formato curto e sem links para artigos (Leading Report, unusual_whales e Globe Eye News).

O que os dados indicam sobre engajamento e links no X

A conclusão apontada pela análise é direta: quanto mais um veículo compartilha links, menor tende a ser seu nível de engajamento no X (curtidas, reposts e respostas).

O estudo cita um exemplo chamativo. O The New York Times, com mais de 53 milhões de seguidores, teria desempenho inferior ao da conta Globe Eye News, que nem chega a 1 milhão de seguidores. A explicação sugerida está no padrão de postagem: 88% dos posts do The New York Times incluiriam links, enquanto a Globe Eye News não publicaria links.

Esses veículos não se adaptaram?

Que o X favorece formatos diferentes de posts (em vez de links para matérias) não é exatamente novidade. O próprio Elon Musk já havia recomendado isso em 2023: “Nosso algoritmo busca otimizar o tempo gasto no X; links não seguram tanta atenção, porque os usuários passam menos tempo se clicarem para fora. O melhor é publicar conteúdo na forma de artigos longos nesta plataforma”.

O Nieman Lab também destaca que “Essa análise mostra que a maioria dos grandes veículos, com exceção da Fox News, não mudou de verdade a forma como posta, mesmo com os incentivos da plataforma tendo mudado”. Na contramão de outros grupos tradicionais, a Fox News já teria ajustado a estratégia: segundo o Nieman Lab, apenas 9% dos posts do veículo incluem links.

Nikita Bier, chefe de produto da rede social, também criticou recentemente o The New York Times por não ter “evoluído seu estilo de publicação para incentivar as pessoas a assinar suas newsletters (por exemplo, com fios de discussão etc.)”.

Entre os comportamentos curiosos no X, aparece ainda a mudança recente do Techmeme, que deixou de colocar links nas publicações. Em vez de uma URL, o Techmeme agora orienta o leitor com um texto do tipo: “Acesse Techmeme ponto com para ver o link e o contexto completo”. Ainda fica a dúvida se essa abordagem, sem link - como Elon Musk prefere -, vai se mostrar eficaz.

O que achamos disso

A análise chama atenção porque o X se posiciona como uma plataforma voltada a se informar. Enquanto redes como Facebook e Threads aparecem na categoria “Redes sociais” da App Store, o X está em “Notícias”. Na França, inclusive, o X ocupa a posição nº 1 nessa categoria da App Store.

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