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John Ternus é o oitavo CEO da Apple: retrato dos sete predecessores

Homem em sala com retratos de Steve Jobs e produtos Apple antigos e modernos exibidos.

John Ternus é o oitavo homem a assumir o comando da Apple. A seguir, traçamos o perfil dos sete antecessores dele.

Depois de quinze anos de serviços prestados, Tim Cook deixou a Apple e abriu espaço para John Ternus. O novo chefe terá uma missão grande: manter a empresa no topo. Ele também passa a carregar a herança de uma longa sequência de CEOs - alguns inesquecíveis, outros praticamente apagados da memória coletiva.

Afinal, quem veio antes de Ternus? Quais líderes moldaram a Apple? E quais realmente deixaram uma marca decisiva na história da empresa? Organizamos tudo abaixo.

Michael Scott (nenhuma relação): 1977-1981

Em 1977, Steve Jobs e Steve Wozniak fundam a Apple, e a empresa começa a crescer rapidamente. Mike Markkula - o “terceiro homem” da história, muitas vezes esquecido, além de investidor - chama um antigo colega para colocar ordem na casa: Michael Scott.

A proposta era dar estrutura à companhia e, ao mesmo tempo, supervisionar os dois Steves, ainda jovens demais para comandar sozinhos. Scott faz a Apple prosperar, aposta pesado no computador pessoal (algo longe de ser óbvio naquele período) e incentiva o desenvolvimento do projeto Macintosh. Em 1981, porém, toma uma decisão considerada um erro estratégico: demite 40 funcionários de uma vez, muitos deles vindos da equipa do Apple II. O episódio acaba levando ao afastamento dele, e Markkula assume.

Depois da Apple, Michael Scott trabalha no setor de foguetes e ganha reconhecimento também no universo da gemologia, uma área pela qual era apaixonado. Ele morre em 2025.

Mike Markkula: 1981-1983

Mike Markkula é o terceiro nome fundamental na fundação da Apple. Foi ele quem colocou dinheiro na empresa ainda no começo, inclusive investindo recursos próprios. Com a saída de Scott, Markkula vira CEO interino - uma fase que, na prática, se estende por dois anos. Nesse período, ele ajuda a estabilizar a empresa após a crise de 1981 e dá sustentação aos projetos que já estavam em andamento.

Mais tarde, permanece no conselho de administração da Apple até 1997.

John Sculley: 1983-1993

Com John Sculley, a Apple ganha escala e entra noutro patamar, mas paga o preço de se afastar da própria identidade. Antes de chegar à Apple, Sculley comandava outro gigante: a Pepsi. Conta a lenda que Steve Jobs o convenceu com a frase: “você vai passar a vida inteira vendendo água com açúcar ou quer mudar o mundo comigo?”.

Sob a liderança de Sculley, a Apple deixa de ser uma start-up de “nerds” e vira uma empresa internacional. Em 10 anos, as vendas disparam, saindo de 800 milhões para 8 bilhões de dólares. Ele também coloca o marketing no centro da estratégia - um pilar que se tornaria uma das maiores forças da companhia.

Sculley, porém, é lembrado igualmente por ter provocado a saída de Steve Jobs. Enquanto Jobs queria empurrar a inovação, Sculley seguia uma abordagem capitalista mais pragmática. O conflito se intensifica até 1985, quando Sculley, apoiado pelo conselho de administração (incluindo Markkula), afasta Jobs.

Sculley deixa a Apple em 1993 (levando 10 milhões de dólares em bônus) justamente quando as vendas começam a perder fôlego diante do avanço dos PCs.

Michael Spindler: 1993-1996

Michael Spindler foi o único homem de origem não americana a comandar a Apple. Nascido em Berlim, ele passou primeiro pela operação europeia antes de suceder Sculley. Só que encontra um cenário particularmente complicado: a empresa perde força e fica presa em sucessivas reestruturações.

Ainda assim, deixa a sua marca ao introduzir a arquitetura PowerPC nos Macs. Mesmo com esse movimento, não consegue virar o jogo e é retirado do cargo após três anos. Ele morreu em França em 2016.

Gil Amelio: 1996-1997

Gil Amelio ficou apenas um ano no cargo, mas a passagem dele gera efeitos enormes na trajetória da Apple. Integrante do conselho de administração desde 1984, ele assume depois de Spindler e tenta colocar a casa em ordem com demissões em massa e o cancelamento de projetos. Apesar disso, as finanças não melhoram.

Amelio também compra a NeXT, empresa fundada por Steve Jobs. Com isso, Jobs regressa à Apple e convence o conselho a deixá-lo liderar novamente o seu “bebê”, num momento em que as ações da companhia estavam no nível mais baixo.

Steve Jobs: 1997-2011

Há mesmo necessidade de apresentações? Jobs não só recupera uma Apple em dificuldades, como também ajuda a transformá-la numa máquina de inovação. iPod, iPhone, iPad: as criações sob sua influência são numerosas. A volta dele foi uma benção para a empresa, que muito provavelmente nem existiria hoje sem o seu trabalho.

Mais do que um executivo do Vale do Silício, Steve Jobs é, sem dúvida, o empreendedor mais influente da história da tecnologia - alguém que priorizava primeiro o design e o uso, antes da tecnologia em si.

Ele morre em 2011, em decorrência de um câncer contra o qual lutava havia anos. Dois meses antes de falecer, aponta Tim Cook como sucessor.

Tim Cook: 2011-2026

Tim Cook não rompe com a “fórmula Apple”; pelo contrário, mantém a linha direta de Steve Jobs. Durante o seu comando, a marca atinge um nível de poder inédito, com a valorização na bolsa multiplicada por dez (mais de 3000 bilhões de dólares). Ele continua a apostar nos produtos centrais (iPhone, iPad, MacBook), ao mesmo tempo em que imprime a sua marca (Apple Watch, AirPods, Vision Pro).

O último grande feito atribuído a ele chama-se MacBook Neo, um MacBook que custa apenas 699 euros. Um último brilho antes da saída.

John Ternus: 2026- ????

Ternus surge como a escolha mais lógica para substituir Cook. Ele está na Apple desde 2001, em plena fase de renascimento, e participa de praticamente todos os grandes projetos de engenharia da marca. É visto como um perfil estável, dedicado e discreto - e, ao mesmo tempo, extremamente eficiente.

Cabe a ele seguir fazendo a Apple crescer, mantendo o que já dá certo e, também, abrindo espaço para novas inovações.

Você pode encontrar uma biografia curta dele neste artigo.

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