Max Verstappen finalmente encontrou algo capaz de acompanhá-lo “no ar” acima do asfalto: um drone fora do comum, resultado de uma colaboração entre um grupo de entusiastas holandeses e os engenheiros da Red Bull.
Por mais de um ano, a Red Bull trabalhou com os especialistas em drones da Dutch Drone Gods para desenvolver o drone FPV mais rápido do mundo. O objetivo era tão simples de enunciar quanto difícil de executar: conseguir filmar uma Fórmula 1 em uma volta completa sem ficar para trás.
A primeira grande demonstração aconteceu em 2024, em Silverstone. Na ocasião, o drone perseguiu Max Verstappen, que guiava sua recém-lançada RB20 (ver vídeo abaixo). Ele conseguiu permanecer colado no carro, alcançando picos absurdos acima de 310 km/h nas retas - e, pela primeira vez no mundo, foi possível acompanhar uma F1 em plano-sequência, a poucos metros da asa, durante a volta inteira.
O feito voltou a acontecer neste fim de semana, em 28 de junho de 2026, no Grande Prêmio da Áustria. Só que, desta vez, o drone passou da marca de 350 km/h e as imagens foram exibidas ao vivo durante a corrida. O resultado coloca em perspectiva o quanto câmeras on-board e helicópteros têm limitações para entregar ao público aquela sensação raríssima de “voar em formação” com os pilotos.
Inscreva-se no Presse-citron
Como o Red Bull Drone 1 (RBD1) foi desenvolvido
Batizado de Red Bull Drone 1 (RBD1), o projeto começou ainda em 2023. E a Dutch Drone Gods recebeu dos engenheiros da Red Bull um conjunto de exigências tecnicamente absurdo. O equipamento precisava acelerar com a mesma brutalidade de uma F1 e sustentar o ritmo máximo por uma volta completa - mais de um minuto de esforço extremo para bateria, motores e eletrônica.
Embora existam alguns poucos drones FPV caseiros capazes de atingir velocidades semelhantes às das F1 modernas, eles aguentam isso por apenas alguns segundos antes de bater no limite: baterias e motores superaqueçam e podem até pegar fogo.
Além disso, ele tinha de carregar uma câmera em alta definição, com padrão de qualidade televisiva, entregando imagens impecáveis apesar da velocidade. Tudo isso sem ser afetado pelo enorme vórtice de ar gerado pela asa do carro quando a monoposto está lançada na pista.
Um míssil que corta o ar
Por fim, havia o ponto mais delicado: a pilotagem precisava ser absolutamente precisa para quem controla o drone, já que acompanhar as mudanças bruscas de aceleração e desaceleração na entrada de curvas fechadas não admite erro.
Para reduzir a velocidade sem acertar a traseira do carro, o piloto do drone precisa parar de acelerar e, de forma abrupta, redirecionar a força das hélices para contornar a curva, antecipando cada ponto de frenagem.
O primeiro protótipo já deu certo. Depois do clipe inicial em Silverstone, no começo de 2024, o RBD1 ganhou experiência na Rookies Cup e no WRC ao longo de 2025, antes de seguir também as motos da MotoGP no Red Bull Ring no verão daquele mesmo ano.
Desde os primeiros voos, a Dutch Drone Gods e os engenheiros da Red Bull Advanced Technologies foram refinando o sistema para o Grande Prêmio da Áustria de 2026. O drone já “encostava” em 350 km/h desde a sua criação, mas agora a prioridade era outra: tornar tudo confiável para acompanhar uma corrida real. Para isso, foi necessário retrabalhar o escoamento interno de ar dentro da estrutura em formato de míssil.
Transmissão ao vivo em HD
Para gerar imagens compatíveis com transmissão ao vivo, o RBD1 passou a incorporar um transmissor de broadcast em HD, capaz de enviar um sinal de vídeo limpo diretamente para a central de TV da Fórmula 1.
Mesmo com essas evoluções, ele não chega a pesar 1 kg. E a relação peso/potência é simplesmente insana: ele atinge 300 km/h em quatro segundos, duas vezes mais rápido que uma monoposto.
Um pequeno drone no coração do duelo dantesco deste fim de semana
Neste fim de semana, ele foi colocado no centro da ação para registrar, na 11ª volta do GP da Áustria, um duelo em altíssima velocidade nas “montanhas-russas” do Red Bull Ring. As imagens exibidas (ver o trecho abaixo) mostraram um ângulo impressionante: em um único plano mergulhado, apareciam a Ferrari de Lewis Hamilton e a Red Bull de Max Verstappen brigando roda a roda, acompanhando subidas e descidas do traçado.
E aí fica a pergunta: a F1 vai adotar o RBD1 de forma permanente como ferramenta de transmissão, como já faz com câmeras em gruas e outros dispositivos? Nada garante.
Para Dean Locke, diretor de transmissão da Fórmula 1, não há como permitir que um equipamento a 350 km/h sobrevoe o público ou atravesse a pista, porque o risco é alto demais. No máximo, ele cogita usar o drone em trechos muito específicos, como as retas longas da China ou de Austin, onde não haveria perigo para os espectadores.
Por enquanto, portanto, ele deve seguir como um extra para os telespectadores, ao menos até que a FIA atualize suas regras. Ainda assim, sem estragar a diversão: o impacto visual vale muito a pena.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário