A Ubisoft divulgou seus resultados financeiros de 2025 - e os números vieram bem abaixo do esperado. E, embora 2026 não deva trazer alívio, a empresa francesa aposta em uma virada em 2027.
Resultados financeiros de 2025 e uma queda acentuada
A situação não está confortável para a Ubisoft. No balanço de 2025, o grupo registrou um prejuízo líquido de 1,47 bilhão de euros. No quarto trimestre, as reservas líquidas somaram 415 milhões de euros, o que representa uma retração de 54% em comparação com o mesmo período de 2024.
Ao mesmo tempo, a sequência de demissões continua - inclusive na sede em Paris, que pode perder 20% do seu quadro de funcionários.
2026 deve repetir o roteiro, com poucas grandes estreias
Para 2026, a Ubisoft já sinaliza um ano no mesmo nível de desempenho. O motivo é simples: fora Assassin’s Creed Black Flag Resynced, remake do jogo de 2013 previsto para julho, a editora francesa não tem grandes lançamentos programados.
A conclusão do acordo com a Tencent, no entanto, deve dar algum fôlego financeiro, com 1,16 bilhão de euros entrando no caixa.
Ubisoft precisa mudar para continuar existindo
Reestruturação: fim da centralização e cinco estúdios independentes
Ainda assim, a Ubisoft não considera que tenha chegado ao fim do caminho. Em meio a uma fase difícil, a companhia aposta em um retorno já em 2027. No começo de 2026, ela iniciou um processo de transformação e comunicou uma reestruturação ampla.
A ideia é abandonar a centralização: agora, a empresa passa a operar dividida em cinco estúdios independentes. Essas “casas de criação” terão, cada uma, suas próprias licenças e especialidades, cuidando tanto do desenvolvimento quanto da publicação.
Jogos e franquias para sustentar o rebote em 2027
A recuperação projetada depende de títulos de grande porte que, na visão da Ubisoft, podem recolocar o negócio nos trilhos. O principal nome é Assassin’s Creed Hexe, planejado para 2027. Revelado em 2022, ele deve suceder Shadows (2025) na linha principal da série e carregar as expectativas da editora.
Além disso, a empresa pretende reforçar outras marcas nos próximos anos - como Far Cry e Rainbow Six - para tentar retomar o crescimento. As três franquias ficam sob responsabilidade da casa de criação Vantage, voltada aos blockbusters.
Fórmula repetida, críticas e a busca por qualidade
Resta saber se esse plano será suficiente. Por cerca de quinze anos, a Ubisoft se apoiou em um modelo que funcionou, lançando jogos cuidadosamente “formatados” dentro de uma fórmula bem definida. Mesmo com resultados positivos, parte do público foi perdendo o entusiasmo à medida que os títulos passaram a parecer cada vez mais semelhantes.
Cabe à Ubisoft se reinventar, priorizando qualidade em vez de quantidade. Embora o Assassin’s Creed mais recente tenha ido bem comercialmente, ele também foi bastante criticado por não arriscar. Essa mesma acusação aparece com frequência em relação a lançamentos recentes do estúdio, como Avatar Frontiers of Pandora e Star Wars Outlaws.
A originalidade, porém, seria a resposta? Não necessariamente: produções que fugiram mais do padrão, como o excelente Prince of Persia The Lost Crown, não alcançaram um sucesso estrondoso.
Essa crise vai permitir que a editora recupere a inventividade que marcou seu auge nos anos 2000?
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