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Marinha do Brasil dá baixa na corbeta Júlio de Noronha (V32) e encerra a classe Inhaúma

Marinheiros da Marinha do Brasil em cerimônia de saudação diante de navio militar ancorado.

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Baixa da corbeta Júlio de Noronha (V32) e fim da classe Inhaúma

Depois de mais de três décadas de serviço na Marinha do Brasil, a corbeta Júlio de Noronha (V32) foi oficialmente desativada, encerrando de vez as operações da classe Inhaúma. A cerimônia de desarmamento ocorreu na segunda-feira, 15 de junho, na Base Naval do Rio de Janeiro, e marcou o fim de um ciclo importante para a Esquadra brasileira. Por muitos anos, esses navios simbolizaram o amadurecimento da indústria naval militar do país.

A Júlio de Noronha era a terceira embarcação de uma série originalmente formada por quatro corvetas: Inhaúma (V30), Jaceguai (V31), Júlio de Noronha (V32) e Frontin (V33). Incorporadas entre o fim dos anos 1980 e a primeira metade da década de 1990, essas unidades representaram, naquele período, um avanço relevante tanto do ponto de vista tecnológico quanto industrial para o Brasil. Com a retirada da Júlio de Noronha, também se encerra a trajetória de uma classe que, por décadas, esteve entre os pilares da capacidade de escolta da Marinha do Brasil.

Construção, incorporação e atuação na Esquadra

Construída no estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, a corbeta Júlio de Noronha entrou em serviço em 1992. Ao longo de sua carreira operacional, tomou parte em missões de patrulha, escolta e presença marítima, além de exercícios de adestramento e operações navais. O navio também teve papel de destaque na formação de novas gerações de militares da Esquadra.

Seu nome prestava homenagem ao almirante Júlio César de Noronha, veterano da Guerra da Tríplice Aliança e ministro da Marinha no início do século XX - sendo este o segundo navio brasileiro a receber essa denominação.

Origem do “Projeto Corveta” e produção nacional da classe Inhaúma

A classe Inhaúma nasceu do chamado “Projeto Corveta”, impulsionado no fim da década de 1970 para atualizar as capacidades de escolta e patrulha oceânica por meio da construção de navios em território nacional. Embora o planejamento inicial previsse uma quantidade maior de unidades, ao final foram concluídas apenas quatro.

As duas primeiras corvetas foram construídas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Já as duas últimas - incluindo a Júlio de Noronha - saíram do estaleiro Verolme, com participação posterior do Arsenal em atividades de manutenção e modernização.

Características, capacidades e armamento das corvetas Inhaúma

Com 95 metros de comprimento, deslocamento de aproximadamente 2.000 toneladas em plena carga e velocidade máxima na casa de 27 nós, as corvetas da classe Inhaúma foram projetadas como escoltas de emprego geral. O conceito de uso previa atuação contra ameaças de superfície, aéreas e submarinas, além da operação de um helicóptero embarcado para ampliar a vigilância marítima.

O armamento original incluía um canhão de 114 mm, canhões Bofors de 40 mm, mísseis antinavio Exocet e tubos lançatorpedos antissubmarino. Além do emprego operacional, a classe funcionou como um importante “laboratório” para a engenharia naval brasileira, ajudando a consolidar experiência em projeto, integração de sistemas e manutenção de navios de combate.

Continuidade do legado: Barroso (V34) e o Programa Classe Tamandaré

Os aprendizados acumulados com o programa mais tarde contribuíram para o desenvolvimento da corbeta Barroso (V34), incorporada em 2008 como uma evolução do desenho original. A desativação da Júlio de Noronha ocorre, ainda, em um momento de nova transição para a Marinha do Brasil, que avança com o Programa Classe Tamandaré como um dos principais esforços de modernização de sua frota de superfície.

Essas novas fragatas têm a missão de substituir as veteranas fragatas da classe Niterói, abrindo um novo capítulo na construção naval militar brasileira.

*Créditos das imagens: Marinha do Brasil.-


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