Pedro Sánchez destaca mais de um milhão de pedidos de regularização
Mais de um milhão de imigrantes entraram com solicitação para regularizar a situação em que vivem na Espanha por meio de um processo extraordinário iniciado em 16 de abril, informou nesta terça-feira o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
O prazo para protocolar os pedidos termina também nesta terça-feira e, segundo Sánchez, “mais de um milhão” de pessoas já deram início ao trâmite, o que, na avaliação do líder do Executivo, evidencia que a medida era necessária.
“Queremos que o mundo veja Espanha como um país que respeita, protege e garante os direitos humanos”, acrescentou. O chefe do governo afirmou ainda que a regularização extraordinária é “uma decisão boa para a economia” espanhola, embora tenha reconhecido a existência de “desafios” ligados à integração.
Sánchez fez as declarações em Madri, na abertura de um evento do governo em que será apresentado um “Plano de Integração e Cidadania”. De acordo com o próprio primeiro-ministro, o Executivo pretende destinar 500 milhões de euros ao plano já no primeiro ano de implementação.
Plano de Integração e Cidadania: 500 milhões de euros e metas até 2030
Conforme explicou Sánchez, a primeira medida do plano é justamente o processo de regularização extraordinário lançado em abril, cujo objetivo é conceder autorização de residência e de trabalho a imigrantes que já vivem em território espanhol.
O plano, segundo o primeiro-ministro, está organizado em quatro eixos, reúne 16 medidas e estabelece 10 objetivos a serem cumpridos até 2030. Entre os exemplos citados estão uma estratégia de mobilidade laboral para abrir vias legais e seguras de imigração e a criação de uma agência estatal de “mobilidade humana”.
Critérios, estimativas e reações na Espanha e na UE
Quando anunciou a regularização extraordinária, o governo espanhol estimou que o processo poderia alcançar meio milhão de pessoas. Já estimativas de organizações não governamentais (ONG) divulgadas nas últimas semanas apontam que o total final pode chegar a 1,3 milhões.
A iniciativa é voltada a estrangeiros sem antecedentes penais que tenham entrado na Espanha até 31 de dezembro de 2025 e que comprovem permanência ininterrupta de cinco meses no país.
ONG e também órgãos oficiais indicam que cerca de 80% ou mais dos imigrantes em situação irregular que devem ser beneficiados por este processo são originários da América Latina, incluindo o Brasil.
O processo extraordinário recebeu apoio de ONG, da Igreja Católica, de sindicatos e de associações empresariais. Por outro lado, foi alvo de críticas de partidos de direita e de extrema-direita, além de outros países da União Europeia.
Como resposta, Sánchez aconselhou, na semana passada, ao fim de um Conselho Europeu, que seus homólogos da UE conversassem com o Vaticano sobre o tema. “Quem vive no nosso país e está a contribuir para o seu desenvolvimento económico, merece ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão”, afirmou.
O primeiro-ministro vem destacando estudos que atestam e ressaltam a contribuição da imigração para o bom desempenho da economia espanhola, uma das que mais crescem atualmente na União Europeia (UE). Em um país envelhecido, argumenta Sánchez, “sem novas pessoas a trabalhar”, “a prosperidade travada”.
Ele também tem defendido os protocolos assinados com países africanos, que, segundo Sánchez, reduziram a chegada de pessoas à Espanha de forma irregular em embarcações conhecidas como “pateras”.
“É um prazer falar, debater e partilhar as experiências de êxito da política migratória que tem Espanha porque penso que temos muito a dizer. E se têm dúvidas, que falem com o Vaticano”, afirmou, ao final do último Conselho Europeu.
Durante uma visita à Espanha, de 6 a 12 de junho, o Papa Leão XIV pediu à Europa um “exame de consciência” a respeito da imigração e defendeu acolhimento e integração dos migrantes, colocando “a dignidade humana” no centro das políticas.
Nos mesmos dias, o comissário europeu para a Administração Interna e Migração, Magnus Brunner, avaliou que a Espanha enviou um “mau sinal” ao regularizar centenas de milhares de imigrantes.
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