A vida dos dinossauros não era um mar de rosas antes de o asteroide de Chicxulub atingir a Terra. Muito antes desse impacto, alguns já lidavam com perigos bem menores - e potencialmente letais.
Uma ameaça discreta em plena era dos dinossauros
Um novo estudo encontrou indícios de que uma doença óssea perigosa pode ter colocado em risco a sobrevivência de vários dinossauros de pescoço longo no que hoje é o Brasil, há cerca de 80 milhões de anos.
Tratava-se de alguns dos maiores dinossauros da América do Sul - e, ainda assim, eles poderiam ter sido ameaçados por um inimigo microscópico.
Osteomielite em saurópodes no Brasil há 80 milhões de anos
Cientistas descreveram agora esqueletos antigos de seis saurópodes do Brasil que exibem sinais de osteomielite - uma infeção destrutiva nos ossos provocada por bactéria, fungo, vírus ou parasita.
Atualmente, esse tipo de infeção afeta mamíferos, aves e répteis.
No Cretáceo, porém, ela pode ter sido fatal para dinossauros. O ambiente onde esses saurópodes viviam no Brasil teria sido, na época, um conjunto de rios rasos e de corrente lenta, além de grandes áreas de água parada - condições favoráveis a patógenos e aos animais que os transportam.
Para o bem ou para o mal, os saurópodes parecem ter preferido esses ecossistemas húmidos. Pegadas e outros fósseis deles aparecem com frequência em antigas planícies de inundação ou zonas pantanosas.
O que os fósseis de Vaca Morta mostram
"Houve poucos registos de doenças infecciosas em saurópodes, sendo que o primeiro foi publicado recentemente", afirma o autor principal e paleontólogo Tito Aureliano, da Universidade Regional do Cariri (URCA), no Brasil.
"Os ossos que analisamos são muito próximos entre si no tempo e do mesmo sítio paleontológico, o que sugere que a região ofereceu condições para que patógenos infetassem muitos indivíduos naquele período."
Os fósseis - de espécies não especificadas - foram recolhidos entre 2006 e 2023 no sítio "Vaca Morta", no estado de São Paulo.
Como nenhuma das lesões ósseas apresenta sinais de cicatrização, é provável que as infeções ainda estivessem ativas no momento da morte. Elas podem, inclusive, ter contribuído para isso.
Com base na patologia observada, Aureliano e colegas defendem que a infeção óssea avançou rapidamente. Diferentemente de marcas de mordida deixadas por dinossauros, as lesões nos ossos exibem uma "arquitetura caótica".
Alguns ossos de saurópodes têm lesões apenas na parte interna, enquanto outros, com infeções mais avançadas, apresentam saliências circulares, como pequenas protuberâncias, na superfície externa. Os resultados indicam que a doença pode evoluir de maneiras distintas, talvez conforme o dinossauro ou o tipo de patógeno envolvido.
Os dinossauros podem ter dominado a Terra durante um tempo, mas até os menores patógenos podem ter ameaçado esse domínio.
O estudo foi publicado na revista The Anatomical Record.
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