Há pouco mais de um ano, a Intel parecia sem saída. Agora, o papel da empresa está derrubando marcas que não eram vistas havia quase quatro décadas - um retorno que chama atenção.
A reviravolta é difícil de ignorar. Depois de ser tratada como um gigante em queda, a fabricante de chips acaba de entregar um dos come-backs mais impressionantes da história recente da tecnologia. Em 24 de abril, a ação saltou 24% em um único pregão, o melhor desempenho desde outubro de 1987. No acumulado do ano, o papel já sobe 124%, após ter avançado 84% em 2025.
Resultados do 1º trimestre e expectativas para o 2º trimestre
O movimento ganhou força com números financeiros considerados robustos. No primeiro trimestre, a Intel registrou receita de 13,58 bilhões de dólares, alta de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Wall Street recebeu o balanço de forma positiva, sobretudo porque a empresa vinha de quedas de receita em cinco dos sete trimestres anteriores.
As projeções para o segundo trimestre também foram vistas como animadoras. Como consequência, alguns analistas elevaram suas recomendações para o papel - entre eles Citi e Evercore ISI, que ambos migraram para uma indicação de compra. Essas casas, que orientam milhões de investidores institucionais ao redor do mundo, costumam funcionar como termômetros dos mercados.
Como Lip-Bu Tan mudou o jogo na Intel
Em 2024, a Intel perdeu 60% do seu valor de mercado, pressionada por uma sequência de contratempos: atrasos industriais, uma entrada mal-sucedida em IA, enfraquecimento do mercado de PCs e o fracasso da divisão de fundição. Sob críticas, Pat Gelsinger, CEO desde 2021, deixou o cargo em dezembro de 2024.
Lip-Bu Tan assumiu em maio de 2025 com uma estratégia apoiada em três frentes: colocar as contas em ordem, reconstruir pontes com grandes investidores e se firmar na era da IA. A linha adotada gerou resultados visíveis: em setembro de 2025, a NVIDIA passou a ter participação na Intel com um aporte de 5 bilhões de dólares, um sinal forte, que já havia impulsionado a ação em 23% em apenas um dia. O suporte da administração Trump também ajudou a recuperar a credibilidade industrial do grupo.
No campo tecnológico, a empresa também tentou acelerar a recuperação. Tan declarou que iria acelerar o desenvolvimento da técnica de litografia 14A, uma inovação muito aguardada para 2028 e além, com a promessa de recolocar a Intel na disputa pelas chips mais avançadas. Enquanto isso, quem vem puxando o crescimento é a área de data center: a receita do segmento subiu 22% em um ano, para 5,1 bilhões de dólares.
Nossa análise
A disparada do papel parece traduzir um alívio do mercado: após anos de frustrações acumuladas, muitos investidores já trabalhavam com um cenário extremamente pessimista. Por isso, qualquer sinal construtivo tende a provocar reações maiores do que o normal. Ainda não dá para dizer, porém, que a Intel virou a página de forma definitiva.
O ponto mais encorajador, em termos estruturais, é o rumo industrial que Lip-Bu Tan vem desenhando. Mesmo assim, a Intel continua atrás de TSMC e AMD, e a tecnologia 14A não chega antes de 2028. Até lá, muita coisa pode mudar em um setor que se transforma em alta velocidade.
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