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Arcom alerta para o risco de marginalização do rádio como mídia

Carro elétrico esportivo verde metálico em showroom moderno com piso branco e iluminação indireta.

A Arcom alerta para um risco crescente: o rádio pode acabar empurrado para a margem como meio de comunicação.

Autorádio deixa de ser padrão em carros novos

Presente no dia a dia de milhões de motoristas, o rádio do carro já não é mais um item garantido. A Arcom chama a atenção para a retirada desse equipamento em veículos recém-lançados por diversas montadoras - com destaque para a Tesla, que tomou essa decisão nos seus Model 3 e Model Y.

A empresa de Elon Musk, porém, está longe de ser um caso isolado. O site Mac4ever lembra, por exemplo, que a Dacia optou por eliminar o rádio na Spring na versão “Essential”, e que a Citroën segue a mesma linha em algumas configurações do C3.

Smartphone no lugar do rádio: CarPlay e Android Auto

No lugar do autorádio, cresce a aposta no celular, integrado ao sistema do carro por CarPlay ou Android Auto.

Diante desse cenário, Romain Laleix - integrante do colégio da Arcom responsável pelos temas de rádio - publicou no início do ano uma tribuna no jornal Les Échos para soar o alarme. Na avaliação dele, se o movimento ganhar força, o impacto para o rádio como mídia é direto: “A ausência de autorádio nos carros equivaleria a uma marginalização imediata do meio e ao seu desaparecimento em curto prazo”.

Proteger o rádio como “bem comum”

O motivo da preocupação é claro: embora a tecnologia DAB+ - que ele compara a uma espécie de TV digital terrestre aplicada ao rádio - ainda permita ouvir emissoras nos carros que contam com o recurso, por força do direito europeu que o exige, algumas empresas poderiam tentar contornar a regra e simplesmente retirar o rádio dos veículos.

Esse caminho seria devastador para o setor, já que 30% do consumo total de rádio acontece dentro do carro. Laleix também se coloca como porta-voz das “1.200 rádios presentes em todo o território nacional, na França metropolitana e nos territórios ultramarinos”, que estão sob regulação do órgão. Ele afirma ainda que “o rádio é, por natureza, a mídia universal, a voz de quem não seria ouvido sem ela” e que se trata de “a primeira mídia livre do mundo e, em alguns países, a única”.

Para evitar esse desfecho, os membros do colégio da Arcom querem levar o tema à esfera da União Europeia: “A elaboração do regulamento europeu sobre redes digitais deve ser a oportunidade de impor às montadoras não apenas a integração de um receptor nos veículos, mas também de garantir, de fato, o acesso ao rádio, por meio de um botão ou de um aplicativo claramente identificável nos painéis”.

Segundo ele, não se trata de um debate distante ou apenas burocrático - é uma questão concreta:

Por trás dessas disputas legislativas que podem parecer distantes, o que está em jogo é nada menos do que o futuro das nossas rádios, de quem as mantém vivas no ar e fora dele. Está em jogo também o futuro de um modelo cultural único, que garante a cada cidadão o acesso a uma informação confiável, a uma oferta cultural diversa e a serviços de proximidade. Mais do que nunca, defendamos um acesso gratuito, anônimo e universal ao rádio, para que a mídia de todos continue sendo um bem comum!

O recado foi dado, e o alerta está lançado de forma inequívoca.

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