Diante de uma crise imobiliária histórica somada a canículas recordes, o ministro da Habitação, Vincent Jeanbrun, apresenta um plano de emergência para viabilizar 2 milhões de construções até 2030. A proposta é que a urgência de produzir moradias caminhe junto com a necessidade de redesenhar as cidades para suportar temperaturas extremas.
A crise de moradia, agora, vem acompanhada de um problema climático de grande escala. Depois de uma onda de calor sem precedentes atingir a França, o governo passou a conectar diretamente a meta de construir com a adaptação ao calor intenso - e fixou o objetivo de 2 milhões de novos imóveis até 2030.
Plano de Vincent Jeanbrun: 2 milhões de moradias até 2030
Segundo Vincent Jeanbrun, ministro da Habitação, trata-se de responder a uma verdadeira “urgência de oferta”, porque a precariedade está disparando. “Em 10 anos, os franceses perderam 25 metros quadrados de poder de compra. É enorme”, argumentou ele em entrevista no BFM Business. Para o ministro, porém, erguer mais unidades já não basta: é preciso também proteger a população dos efeitos do clima.
Normas de conforto de verão contra a canícula
Embora o segmento de imóveis novos já siga regras rígidas, Jeanbrun reconhece que “essas normas precisam ir mais longe no conforto de verão”, uma pauta que, segundo ele, virou questão de sobrevivência.
“A gente vê que esta canícula está batendo todos os recordes”, reforça, defendendo novas exigências para ampliar o uso de persianas, sistemas de ventilação e proteções solares - inclusive em prédios históricos, como o parque haussmanniano.
Transformar os escritórios
Para alcançar um volume tão alto de entregas, surge a pergunta central: onde encontrar espaço sem aumentar a destruição ambiental? A resposta do governo passa por uma mudança de função dentro das próprias cidades. O Estado quer acelerar, em larga escala, a conversão de edifícios profissionais vazios em habitações, medida que deve entrar em um projeto de lei a ser apresentado já na próxima semana ao Senado.
“Depois de termos tido áreas industriais abandonadas, começamos a ver áreas terciárias abandonadas, zonas inteiras de escritórios que estão se esvaziando. Precisamos antecipar isso”, explica Vincent Jeanbrun. O texto deve trazer, entre outros pontos, instrumentos específicos para construir mais rápido nesses espaços que já estão impermeabilizados por concreto.
Reformar as peneiras térmicas
O plano também mira um dos temas mais complexos do setor: as chamadas peneiras térmicas (classificadas como F e G), imóveis com isolamento muito deficiente e alto consumo de energia, que deixam o calor escapar no inverno e “vazar” a sensação de frescor no verão.
Para evitar que 700 0000 unidades saiam de forma abrupta do mercado de aluguel por falta de obras, o governo propõe um meio-termo baseado no princípio do toma-lá-dá-cá. Os proprietários poderão continuar alugando, mas com uma condição rígida: “obrigação de fazer as obras aí, agora, imediatamente, antes mesmo de alugar de novo”. Na prática, será necessário assinar os orçamentos e pagar uma entrada antes de um novo inquilino se mudar.
Para destravar intervenções que frequentemente emperram em condomínios, as regras de votação em assembleia geral devem ser simplificadas para maioria simples. No financiamento, o programa público MaPrimeRénov’ mantém sua orientação política de priorizar reformas completas, em vez de pequenas ações isoladas, consideradas ineficientes e caras.
“Quando você faz tudo de uma vez […] você obtém um resultado que faz com que, por 30, 40 anos, você não precise voltar lá”, sustenta o ministro, lembrando que instalar ar-condicionado sem isolar paredes e estrutura leva a uma “conta de luz catastrófica”.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário