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Jeff Bezos defende 0 imposto para os americanos mais modestos e comenta a IA no emprego

Homem sentado na cozinha, usando celular e segurando caneca, com notebook e papéis sobre a mesa de madeira.

Em uma entrevista, Jeff Bezos apresentou uma proposta provocativa: imposto zero para os americanos de menor renda. Ainda assim, o posicionamento do fundador da Amazon parece, antes de tudo, alinhado aos próprios interesses.

Nesta semana, a CNBC publicou uma entrevista com Bezos em que o bilionário voltou ao tema sensível dos impostos. E o debate está especialmente aquecido: em março, a senadora democrata Elizabeth Warren apresentou a Lei do Imposto sobre Ultra-Milionários, que prevê uma cobrança anual de 2 % sobre patrimônios acima de 50 milhões de dólares, com um adicional de 1 % para bilionários.

Na mesma linha, o senador democrata Cory Booker defende, por meio da Lei Mantenha Seu Salário, acabar com o imposto sobre os primeiros 75 000 dólares de renda das famílias. Já na Califórnia, uma iniciativa popular para cobrar, uma única vez, 5 % dos bilionários reuniu assinaturas suficientes para entrar na próxima cédula de votação.

Não taxar os mais pobres

Sem surpresa, o 4º homem mais rico do mundo - com fortuna estimada em 267 bilhões de dólares - tem uma opinião bem definida. Na visão dele, políticos que atacam bilionários recorrem a “uma velha técnica” de escolher um culpado e apontá-lo publicamente. “O problema é que isso não resolve nada”, afirma, ao falar sobre impostos direcionados aos ultra-ricos.

Para Bezos, a saída não seria aumentar a cobrança dos mais ricos, e sim aliviar quem está embaixo. “O governo pode dar às pessoas que estão lutando hoje uma chance melhor de alcançar o sucesso empreendedor eliminando a conta de impostos delas”, argumenta.

Nessa lógica, ele defende que 50 % dos americanos com os menores salários não deveriam pagar nenhum imposto federal sobre a renda. “Eu não quero reduzir o imposto, eu quero eliminá-lo. Eu acho que há algo muito poderoso no zero. Zero é melhor do que um dólar”, disse.

Na prática, Bezos não está propondo o fim dos impostos para todos. Ele admite, inclusive, que discutir um aumento de tributos para os mais ricos é “um debate válido”. Ainda assim, para ele, a prioridade é outra - e ele rejeita a ideia de transformar bilionários em vilões.

A IA não é nociva para o emprego, segundo Bezos

O fundador da Amazon também se mostrou claramente otimista em relação ao efeito da inteligência artificial (IA) sobre o mercado de trabalho. Ele descartou o medo de uma destruição em massa de vagas, dizendo que a tecnologia, ao contrário, vai “elevar” os trabalhadores.

Se você estivesse cavando as fundações da sua casa com uma pá e alguém estivesse prestes a lhe dar um trator, você deveria ficar muito feliz”, comparou. Ele vai além e prevê que a IA trará um ganho de produtividade tão grande que deverá gerar deflação em uma série de bens e serviços - desde que “não se atrapalhe a tecnologia com uma regulamentação precoce demais”.

Resta saber se as milhares de pessoas que já perderam o emprego por causa da tecnologia concordariam com essa leitura.

Nossa análise

A fala de Bezos é calculada. Na mesma entrevista, ele fez questão de destacar os benefícios das suas empresas para a humanidade, dizendo que o impacto delas é muito maior do que o de suas doações filantrópicas.

Quanto à IA, o entusiasmo tampouco é inesperado: executivos do setor de tecnologia têm muito a ganhar com a expansão dessa onda. Bezos não foge à regra.

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