A Justiça acabou de tomar uma decisão histórica. A Corte de Apelação de Paris reconheceu a Air France e a Airbus como culpadas por homicídio culposo em razão da queda do voo AF447 - o acidente mais grave já registrado na história da aviação francesa.
A Corte de Apelação de Paris condena Air France e Airbus por homicídio culposo no caso do AF447
O resultado era aguardado havia anos por familiares das vítimas. O AF447 fazia a rota Rio de Janeiro–Paris na noite de 1º de junho de 2009. O entendimento atual contraria a decisão de 2023 do tribunal penal, que havia absolvido as duas empresas por considerar que não existia um nexo de causalidade certo entre as falhas apontadas e a tragédia.
Desta vez, os magistrados avaliaram que os dois grupos foram "os únicos e inteiramente responsáveis" pelo acidente. Com isso, Air France e Airbus foram condenadas ao pagamento da multa máxima prevista em lei: 225.000 euros cada, além das custas judiciais. Para parte das famílias, porém, o valor é visto como irrisório diante da dimensão do desastre.
Danièle Lamy, presidente da associação de vítimas do AF447 - que perdeu o filho no acidente - ainda assim elogiou a decisão. Segundo ela, a Justiça "finalmente leva em conta a dor das famílias diante de uma tragédia coletiva de brutalidade insuportável". Já a Air France informou que pretende contestar o veredito na Corte de Cassação.
228 mortos, e destroços localizados apenas dois anos depois
O AF447 permanece, até hoje, como o pior acidente da aviação francesa. As 228 pessoas a bordo - 216 passageiros e 12 tripulantes - morreram. Entre elas, havia principalmente franceses, brasileiros e alemães, além de cidadãos de 33 países diferentes, incluindo crianças.
O que aconteceu com o Airbus A330 no Atlântico
O Airbus A330, que estava em operação havia quatro anos, atravessava uma área de tempestades severas sobre o oceano Atlântico quando ocorreu o problema. Naquele momento, as sondas de Pitot - sensores responsáveis por medir a velocidade da aeronave - ficaram obstruídas pelo gelo, o que distorceu os dados de velocidade e levou ao desligamento do piloto automático.
Com isso, os pilotos assumiram os comandos em um cenário que não conseguiram identificar corretamente. Desorientados por uma sucessão de alarmes, eles puxaram o nariz da aeronave para cima em vez de corrigir a atitude, o que causou um estol aerodinâmico. Em apenas alguns minutos, o avião atingiu o oceano em alta velocidade.
As caixas-pretas a mais de 3.000 metros e a reconstituição do acidente
Os destroços foram encontrados somente dois anos depois. As caixas-pretas, enterradas a mais de 3.000 metros de profundidade em um fundo marinho particularmente acidentado, só foram localizadas em abril de 2011, após meses de buscas intensas com o uso de robôs submarinos avançados. Foi a partir desses gravadores que os investigadores conseguiram reconstituir com precisão a sequência de eventos que levou ao desastre.
Em comunicado, a companhia afirmou: "A Air France honra a memória das vítimas deste terrível acidente e expressa suas mais sinceras condolências a todos os seus familiares e amigos".
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