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BPCE compra o Novo Banco em Portugal por 6,7 bilhões de euros

Dois homens de terno apertando as mãos em escritório com vista para ponte e rio ao fundo.

Trata-se de uma das maiores operações transfronteiriças do setor bancário na zona do euro na última década. O grupo mutualista francês BPCE está a comprar um banco relevante por 6,7 bilhões de euros.

Na França, Banque Populaire e Caisse d’Epargne integram o grupo BPCE. Atrás do Crédit Agricole, a holding dessas duas instituições mutualistas é vista como o segundo maior grupo bancário francês - na banca de varejo no país, entre 3 e 4 vezes maior do que BNP Paribas e Société Générale -, reunindo milhões de clientes pessoa física e empresas. Em 2026, esse escopo ganha uma nova dimensão com uma aquisição de 6,7 bilhões de euros de um banco português, em uma das maiores transações cross-border do setor bancário na zona do euro nos últimos 10 anos.

Uma das maiores aquisições transfronteiriças da BPCE na zona do euro

A BPCE concluiu em maio a compra do Novo Banco, o quarto maior banco de Portugal. Com isso, o país da Península Ibérica passa a ser o segundo mercado mais importante do grupo, atrás apenas da França. Ainda assim, não é a primeira investida fora do território francês: há anos a BPCE vem seguindo uma estratégia de diversificação internacional. No ano passado, a casa-mãe das cooperativas bancárias francesas absorveu a SGEF, especializada em leasing na Europa e com forte presença na Alemanha - empresa que era uma subsidiária da Société Générale.

Um preço atrativo para um banco muito rentável

Em Portugal, o Novo Banco é frequentemente tratado como uma joia. A instituição, que detém 9% de participação de mercado no total e 18% entre as PMEs, apresenta boa saúde financeira e rentabilidade elevada. Ou seja, não se trata de um ativo em dificuldade, nem de uma escolha feita em um momento de fragilidade.

O desembolso de 6,7 bilhões de euros para remunerar os acionistas - sobretudo o fundo norte-americano Lone Star, além do governo português - é considerado um “preço atrativo”, ainda que represente 7,85 vezes o lucro líquido apurado em 31 de dezembro de 2025.

Novo Banco nasceu de uma crise bancária

Com a incorporação do quadro de funcionários do Novo Banco (3 000), a BPCE passa a contar com 8 000 colaboradores. Além de buscar maior lucratividade, o grupo francês pretende tirar proveito de “sinergias de competências”, como afirmou Nicolas Namias, presidente do conselho de administração da BPCE, em entrevista ao jornal Les Échos.

Segundo ele, esse interesse não deve ser interpretado como uma sinergia de custos - algo que, lamentou, costuma ser a principal expectativa do mercado nesse tipo de aquisição no setor bancário. Ainda assim, haverá “sinergia de receitas” no fim.

O legado do Banco Espírito Santo e os ajustes no perímetro

Formado a partir de uma crise bancária, o Novo Banco conseguiu, ao longo dos últimos anos, reduzir o peso de uma herança complicada: a do Banco Espírito Santo, seu antecessor, que desapareceu em 2014. Na ocasião, o Estado português separou as atividades consideradas “saudáveis” da instituição, deixando de fora ativos tóxicos vinculados à antiga estrutura.

Algumas subsidiárias não bancárias do Banco Espírito Santo, porém, continuaram ligadas ao Novo Banco. Uma delas, a GNB Vida, foi vendida em março de 2026. O restante envolve portfólios de ativos - especialmente em imobiliário -, créditos, além de algumas estruturas residuais e participações minoritárias.

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