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Fragata Tamandaré (F200) recebe evento do BNDES Azul sobre Economia Azul e Amazônia Azul

Militar da Marinha e homem de terno apertando mãos em cais com navio de guerra ao fundo e mapa na mesa.

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A Fragata Tamandaré (F200), primeira unidade da nova classe de escoltas da Marinha do Brasil e um dos maiores marcos do processo de renovação da Esquadra, foi o cenário escolhido nesta quinta-feira (11) para detalhar os avanços da iniciativa BNDES Azul. Mais do que uma agenda voltada à Economia Azul e ao Planejamento Espacial Marinho (PEM), o encontro deixou evidente uma leitura que ganha força no planejamento estratégico nacional: explorar de forma sustentável as riquezas marítimas brasileiras está diretamente ligado à capacidade do Brasil de defender seus interesses no mar.

A cerimônia ocorreu a bordo do navio mais moderno da Marinha do Brasil e reuniu representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), oficiais-generais, pesquisadores, integrantes da comunidade científica e autoridades ligadas à gestão dos recursos oceânicos do país. A cobertura foi feita pelo correspondente do Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci.

Nas exposições, o mar apareceu não só como eixo de desenvolvimento econômico e ambiental, mas também como uma área com peso geopolítico crescente - cuja salvaguarda demanda investimentos contínuos em meios navais, monitoramento, ciência, infraestrutura e no fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Marinha alerta para os desafios crescentes da Amazônia Azul

Na abertura, o Diretor-Geral de Navegação da Marinha do Brasil, Alte Esq Silvio Luiz dos Santos, afirmou que o Brasil atravessa um período decisivo na forma como se relaciona com o mar.

Para o Almirante, a chamada Economia Azul se consolidou como um dos principais motores do desenvolvimento nacional. Ao mesmo tempo, o aumento das atividades econômicas na Amazônia Azul eleva, na mesma proporção, as responsabilidades do Estado na proteção de recursos naturais, infraestruturas estratégicas e direitos soberanos.

“O mar é parte indissociável da identidade e do destino de nosso país”, afirmou.

Ao ressaltar o valor estratégico da Amazônia Azul, o Alte Silvio Luiz lembrou que mais de 95% do comércio exterior do Brasil depende do transporte marítimo e que, nas águas jurisdicionais brasileiras, estão recursos energéticos, alimentares e minerais de grande relevância.

Ele ponderou, porém, que a valorização dessas riquezas ocorre em um ambiente internacional cada vez mais intricado.

Na avaliação do Almirante, a volatilidade geopolítica, a disputa global por recursos estratégicos e ameaças como ilícitos transnacionais, crimes ambientais, pesquisas não autorizadas, pirataria e pesca ilegal ampliam os desafios de países com extensas áreas marítimas sob sua responsabilidade.

Diante desse quadro, o Diretor-Geral de Navegação defendeu de forma direta o reforço das capacidades operacionais da Marinha.

“A obtenção de meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais em quantidade e qualidade, bem como sistemas avançados de monitoramento e controle capazes de fazer frente a essas ameaças, torna-se cada vez mais necessária e essencial.”

A fala sintetizou um ponto recorrente ao longo do evento: não existe desenvolvimento sustentável no mar sem condições reais de protegê-lo.

O Alte. Silvio Luiz acrescentou que garantir a Amazônia Azul significa resguardar não apenas recursos e atividades econômicas, mas também assegurar a soberania do Brasil sobre uma das maiores áreas marítimas do planeta.

Fragata Tamandaré simboliza a estratégia marítima brasileira

A decisão de sediar o encontro na Fragata Tamandaré reforçou essa mensagem.

Construída no âmbito do Programa Fragatas Classe Tamandaré, a embarcação é um marco tanto para a renovação da esquadra de superfície quanto para o fortalecimento da indústria nacional de defesa.

Ao comentar o simbolismo do local, o Almirante afirmou que a Tamandaré representa inovação, capacidade industrial, autonomia tecnológica e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Em uma declaração que se destacou entre os presentes, ele definiu o navio como: “A primeira unidade de mais sete fragatas desta classe que serão incorporadas à Marinha do Brasil.”

A frase surge em um período especialmente sensível para o programa, poucos meses depois da assinatura do Memorando de Entendimento voltado à avaliação da ampliação da classe - tema acompanhado de perto pela indústria naval e pelo setor de defesa.

Ao apresentar a fragata como expressão da capacidade industrial brasileira, o Alte Silvio Luiz observou que a série de eventos do BNDES Azul também carrega forte valor institucional. Segundo ele, a iniciativa teve início a bordo do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, passou pela histórica Fortaleza de São José e, agora, chegava à Fragata Tamandaré, conectando ciência, tradição naval e modernização da força.

“Não se faz nada nessa área sem a Marinha”

Na apresentação dos resultados do BNDES Azul, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, voltou diversas vezes ao papel central da Marinha na formulação de qualquer estratégia voltada ao mar.

Ele afirmou que o Planejamento Espacial Marinho é um dos projetos estruturantes para o futuro do país, pois permitirá conhecer melhor o espaço marítimo brasileiro, mapear potencialidades econômicas, organizar usos e ampliar a segurança jurídica para investimentos.

Mercadante destacou o peso do oceano na economia global: mais de 90% do comércio mundial ocorre por via marítima. No Brasil, esse índice ultrapassa os 95%. Ele também ressaltou que a Amazônia Azul concentra recursos energéticos, minerais, pesqueiros e ambientais essenciais ao desenvolvimento nacional.

Para o presidente do BNDES, nenhuma estratégia ligada a esse patrimônio pode avançar sem a Marinha. “Não se faz nada nessa área sem a Marinha. A Marinha é o coração dessa estratégia. É quem mais tem acúmulo, quem mais tem responsabilidade.”

Ele acrescentou que o Planejamento Espacial Marinho contribuirá para identificar riquezas minerais, orientar investimentos e estruturar uma visão integrada de uso sustentável dos oceanos.

Ao lembrar a obtenção do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, Mercadante enfatizou o papel da ciência no fortalecimento da soberania. Para ele, conhecer o mar é um requisito básico para protegê-lo.

Presença naval é fundamental para proteger os interesses nacionais

Ao longo de sua fala, Mercadante associou de modo direto a proteção da Amazônia Azul à necessidade de manter uma força naval moderna e com capacidade.

Ele recordou que o Brasil tem cerca de 8.500 quilômetros de litoral e uma das maiores plataformas continentais do mundo. Na sua avaliação, proteger essa área requer presença permanente do Estado.

Como exemplo, citou operações de combate ao narcotráfico internacional realizadas em cooperação entre órgãos brasileiros e estrangeiros.

Segundo o dirigente, em 2024 foram apreendidas aproximadamente 92 toneladas de drogas em operações ligadas aos portos brasileiros, o que, na sua leitura, demonstra a relevância estratégica do controle dos acessos marítimos do país.

“A presença do Estado é fundamental para preservar os recursos naturais, proteger a atividade pesqueira, garantir a segurança e combater atividades ilícitas.”

As declarações convergiram com a análise apresentada pela Marinha: a Amazônia Azul ganhou importância estratégica e sua proteção depende de investimentos constantes em meios navais e aeronavais, sistemas de monitoramento e capacidades de resposta.

BNDES reforça apoio à Base Industrial de Defesa

Outro ponto explorado por Mercadante foi o papel da Base Industrial de Defesa no desenvolvimento do Brasil.

Tendo a própria Fragata Tamandaré como referência, ele afirmou que programas estratégicos desse tipo geram empregos qualificados, estimulam transferência de tecnologia e consolidam cadeias produtivas de alto valor agregado.

De acordo com Mercadante, o BNDES acompanha os índices de conteúdo local do Programa Fragatas Classe Tamandaré e enxerga a iniciativa como um exemplo de como investimentos em defesa podem impulsionar a economia e a inovação.

Estamos formando gente, gerando emprego no Brasil inteiro, fortalecendo uma cadeia de empresas e acumulando conhecimento tecnológico.

Ele também respondeu a críticas sobre a capacidade nacional de produzir sistemas complexos.

É um completo equívoco imaginar que o Brasil não é capaz de produzir navios. Esta fragata é um exemplo da eficiência da engenharia brasileira e da capacidade de desenvolver tecnologia de ponta.”

O presidente do banco ainda mencionou o apoio às exportações da indústria nacional de defesa, apontando o financiamento de mais de 160 aeronaves exportadas nos últimos anos, incluindo plataformas militares como o A-29 Super Tucano e o KC-390 Millennium.

Para ele, o mesmo entendimento deve valer para o setor naval e para outros segmentos da Base Industrial de Defesa, ampliando a competitividade internacional da indústria brasileira.

Uma parceria estratégica para o futuro da Amazônia Azul

A proximidade entre as duas instituições ficou clara durante todo o encontro e foi reforçada simbolicamente quando o Chefe do Estado-Maior da Armada, Alte Esq Carlos Henrique de Lima Bettega, entregou ao presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a Medalha Mérito Naval.

Mais do que um tributo individual, o gesto sinalizou o reconhecimento do aumento da participação do banco em projetos relacionados à pesquisa científica, infraestrutura marítima, proteção ambiental, desenvolvimento industrial e fortalecimento de capacidades nacionais voltadas ao mar.

Ao ser realizado a bordo da Fragata Tamandaré, o evento evidenciou que a Economia Azul ultrapassa a pauta ambiental. As apresentações indicaram que o futuro da Amazônia Azul depende, necessariamente, da integração entre ciência, indústria, infraestrutura, desenvolvimento econômico e defesa.

Em um cenário internacional marcado por maior disputa por recursos estratégicos, a mensagem de Marinha e BNDES foi direta: proteger o mar brasileiro exige conhecimento, planejamento e investimentos - mas também uma força naval moderna, uma Base Industrial de Defesa sólida e presença contínua sobre um dos maiores patrimônios estratégicos do país.

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