A ação da easyJet saltou 10% nesta segunda-feira depois que veio a público a possibilidade de uma aquisição pelo fundo norte-americano Castlelake. A companhia classificou a movimentação como "altamente oportunista", e o episódio pode marcar o encerramento de três décadas de uma trajetória profundamente europeia.
Em 1º de junho, os papéis da easyJet avançaram 10% na Bolsa de Londres, levando a empresa a uma avaliação de cerca de 3,41 bilhões de libras esterlinas. O gatilho foi o comunicado de que o fundo de investimentos dos Estados Unidos Castlelake está analisando uma eventual oferta para comprar a aérea britânica. Por enquanto, apenas a sinalização bastou para impulsionar o preço: ainda não existe uma proposta formal apresentada ao conselho de administração da easyJet.
Castlelake e a participação na easyJet
O Castlelake já atua no setor e não é um nome novo na aviação. Controlado majoritariamente pela Brookfield Asset Management, o fundo é especializado em ativos aeronáuticos - sobretudo como arrendador de aviões e financiador de companhias aéreas. Atualmente, ele já possui 2,14% do capital da easyJet, o que o coloca entre os dez maiores acionistas do grupo.
O fundo agora tem até 26 de junho para apresentar uma oferta firme - ou, caso contrário, abandonar a intenção de forma definitiva.
O momento não é por acaso
Se o Castlelake entende que o cenário favorece uma investida, a easyJet diz que o timing é "altamente oportunista". O motivo é que a empresa vive uma fase de fortes turbulências. A guerra no Irã elevou o preço do querosene de aviação nos mercados globais. A ponto de, em março, as compras de combustível fora dos contratos de hedge terem custado 25 milhões de libras a mais à companhia, aumentando em cerca de 5% o custo unitário de cada assento.
Com isso, a empresa projeta um prejuízo antes de impostos entre 540 e 560 milhões de libras no primeiro semestre do ano fiscal de 2025-2026, ante 394 milhões no mesmo período de um ano antes.
Reservas em queda e ação pressionada
A guerra também afeta a demanda. Os passageiros estão comprando mais perto da data da viagem, o que reduz a visibilidade da companhia sobre a taxa de ocupação - uma desvantagem relevante para um modelo low-cost que depende totalmente de previsibilidade. As reservas, por sua vez, estão dois pontos abaixo do nível de um ano atrás, tanto para o terceiro quanto para o quarto trimestre.
Desde janeiro, a ação já havia recuado 22%. Um papel visto como estruturalmente subavaliado, o que torna a easyJet um alvo atraente para um investidor disposto a esperar.
Trinta anos de história europeia em jogo
Ainda assim, transformar esse interesse em uma compra efetiva tende a ser um caminho cheio de obstáculos. As regras britânicas e europeias impõem limites rígidos à propriedade de companhias aéreas: para manter direitos de voo dentro da UE, uma empresa precisa continuar majoritariamente controlada por interesses europeus. Foi justamente para contornar os efeitos do Brexit que a easyJet criou, em 2017, uma subsidiária sediada na Áustria, a easyJet Europe - uma estrutura que complica ainda mais qualquer aquisição por um fundo norte-americano.
Além disso, Stelios Haji-Ioannou, fundador grego da companhia, ainda detém 15% do capital e recebe uma taxa de 0,25% sobre a receita para o uso da marca. Trata-se de um entrave simbólico e financeiro que pesa em qualquer negociação.
Criada em 1995 a partir do aeroporto de Londres-Luton, a easyJet foi uma das pioneiras em viagens aéreas acessíveis na Europa, ajudando a popularizar o transporte aéreo para milhões de passageiros. Uma aquisição por um grupo dos Estados Unidos, portanto, colocaria ponto final em três décadas de um legado claramente europeu.
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