A NSA estaria recorrendo à nova IA Mythos mesmo com as tensões existentes entre a Casa Branca e a Anthropic.
Segundo o site Axios, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) pode ter colocado as mãos em uma ferramenta decisiva para a ciber-guerra. A publicação afirma que a agência estaria usando o Mythos, o novo modelo da Anthropic que vem chamando atenção pela eficiência.
Atritos entre a Casa Branca e a Anthropic
O Axios diz ter ouvido duas fontes internas para sustentar que a NSA seria cliente da Anthropic. A informação chama ainda mais atenção porque, após a empresa ter rejeitado o uso de sua IA pelo governo, a Casa Branca teria classificado a Anthropic como “risco para a cadeia de suprimentos”.
De acordo com Jack Clark, cofundador da Anthropic, as desavenças teriam sido, na prática, apenas um “pequeno desacordo contratual”, que aparentemente já foi resolvido. Ainda assim, nem a NSA nem a empresa confirmaram a existência de um acordo.
Mythos, uma IA superpotente usada por uma agência do governo
A notícia surge poucos dias depois do encontro entre Dario Amodei, CEO da Anthropic, e JD Vance, o vice-presidente dos Estados Unidos. Nessa conversa, Amodei teria alertado o governo sobre o risco potencial do Mythos - descrito como a IA mais avançada da empresa até agora - enquanto também destacava suas qualidades.
Apresentado no início de abril, o Mythos é uma inteligência artificial que, segundo o próprio contexto, assusta até a Anthropic pelo nível incomum de capacidade. Embora tenha sido concebido inicialmente como um modelo generalista, ele teria mostrado desempenho especialmente forte em cibersegurança, figurando no topo de rankings especializados.
Capacidades em cibersegurança e o temor de uso malicioso
O Mythos conseguiria identificar vulnerabilidades que nem os maiores especialistas humanos haviam encontrado. Em um exemplo citado, ele teria revelado fragilidades em softwares amplamente usados, presentes em alguns casos há décadas. O problema é que uma IA com esse alcance também seria capaz de explorar essas falhas - e é aí que a preocupação aumenta.
O que aconteceria se uma agência governamental ou um grupo independente decidisse empregar esse tipo de tecnologia com intenções maliciosas? A avaliação apresentada é a de que nenhuma proteção seria capaz de detê-la, o que a tornaria uma arma extremamente perigosa em um cenário de ciber-guerra. E, diante da ideia de que os Estados Unidos já não estariam demonstrando qualquer contenção, o quadro seria ainda mais alarmante.
Pressão por adoção e a sensação de corrida armamentista de IA
O Mythos é descrito como uma IA com potencial revolucionário, capaz de transformar a cibersegurança em escala global. A Casa Branca teria incentivado bancos americanos a utilizá-la, e a Europa também estaria analisando o tema.
O ponto central é que essa tecnologia agora existe - e será preciso conviver com ela. Seria uma ferramenta poderosa para defesa, mas que, cedo ou tarde, poderia cair em mãos erradas. No retrato traçado, a IA se assemelha a uma corrida armamentista: é de se esperar que concorrentes tentem alcançar o mesmo nível e que empresas ao redor do mundo aprendam a lidar com esse tipo de tecnologia de desempenho extremo.
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