Emmanuel Macron propôs nesta terça-feira a nomeação de seu ex-secretário-geral no Palácio do Eliseu, Emmanuel Moulin, para comandar o Banco da França. A escolha já provoca incômodo na Assembleia Nacional: a oposição questiona a independência de alguém visto como muito próximo do poder. Mas, afinal, quem é ele?
Nesta terça-feira, 5 de maio, Emmanuel Macron apresentou o nome de Emmanuel Moulin para o cargo de governador do Banco da França. Se a indicação avançar, o atual secretário-geral do Palácio do Eliseu assumirá o lugar de François Villeroy de Galhau, que informou em fevereiro sua saída antecipada para o início de junho, antes do fim do mandato, previsto para o fim de 2027.
A função é considerada especialmente pesada: o governador participa da definição da política monetária da zona do euro, acompanha a solidez de bancos e seguradoras na França e dirige serviços públicos decisivos - como o combate ao superendividamento e a produção de moeda em espécie.
Um aliado do macronismo no centro das instituições
Emmanuel Moulin está longe de ser um nome desconhecido nos bastidores do Estado. Aos 57 anos e formado pela ENA, ele acumulou nos últimos anos postos diretamente ligados a Emmanuel Macron: foi chefe de gabinete de Bruno Le Maire no Ministério da Economia e das Finanças em 2017, diretor do Tesouro de 2020 a 2024 e, depois, chefe de gabinete do primeiro-ministro Gabriel Attal. Por fim, passou o último ano como secretário-geral do Palácio do Eliseu.
Esse percurso, como era de se esperar, alimenta críticas. Para muitos, trata-se de mais um movimento de Macron para posicionar pessoas de confiança no comando de grandes instituições antes do fim de seu mandato presidencial.
Uma nomeação que terá de enfrentar o crivo do Parlamento
Antes de tomar posse, Emmanuel Moulin precisará passar por uma sabatina nas comissões de Finanças da Assembleia Nacional e do Senado. Essas comissões podem barrar a indicação caso três quintos de seus integrantes se oponham.
Até aqui, os sinais vindos da oposição são negativos. Éric Coquerel, presidente da comissão de Finanças na Assembleia e deputado da França Insubmissa (LFI), avalia, por exemplo, que alguém tão ligado ao Executivo não oferece as garantias esperadas para dirigir uma instituição que deveria ficar protegida de pressões políticas. Com isso, a votação tende a ser apertada.
Um mandato que vai além do quinquênio
Se a nomeação for confirmada, Emmanuel Moulin ficará à frente do Banco da França com um mandato até junho de 2032, portanto bem depois do término do mandato de Emmanuel Macron.
O governador do Banco da França, porém, não se limita a administrar a instituição nacional. Ele tem assento automático no Conselho do Banco Central Europeu (BCE), ao lado dos dirigentes de outros vinte países da zona do euro, e participa diretamente das decisões de política monetária que afetam várias centenas de milhões de europeus.
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