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Estados Unidos esvaziam estoques de mísseis estratégicos após 39 dias de guerra contra o Irã

Militar sentado em mesa com modelos de mísseis diante de tela gigante exibindo mapa estratégico digital.

Estoques de mísseis estratégicos dos Estados Unidos em 39 dias

Ao longo de 39 dias de guerra contra o Irã, os Estados Unidos consumiram uma parcela expressiva de seus estoques de mísseis estratégicos - um cenário que levanta dúvidas importantes caso um conflito de escala maior venha a ocorrer.

A operação Epic Fury tem se mostrado especialmente onerosa para os EUA, que recorreram de forma intensa a algumas de suas munições mais críticas. Um levantamento divulgado nesta semana pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS), um centro de pesquisa norte-americano especializado em defesa, é categórico: entre sete tipos de mísseis considerados-chave, quatro tiveram mais da metade dos estoques do período pré-guerra esgotados.

Patriot, THAAD e PrSM: os números

Entre os exemplos está o Patriot, sistema de defesa antiaérea e antimíssil projetado para derrubar aeronaves, mísseis balísticos e drones. De um estoque estimado em 2 330 unidades antes do conflito, entre 1 060 e 1 430 foram disparadas.

O THAAD, sistema de maior capacidade voltado à interceptação de mísseis balísticos em alta altitude, também sofreu forte redução: foram consumidos 190 a 290 interceptadores, diante de um estoque total de apenas 360.

Já o PrSM - míssil solo-solo de precisão capaz de atingir alvos a mais de 500 quilômetros - teve, segundo um responsável militar norte-americano, “a totalidade do estoque” empregada. E os mísseis de ataque de longo alcance tampouco passaram ilesos.

Uma fatura astronômica

O pano de fundo já era delicado, porque os estoques norte-americanos eram considerados insuficientes mesmo antes do início do conflito, em particular após grandes remessas enviadas à Ucrânia. Desde o começo da guerra, mais de 600 mísseis Patriot foram repassados a Kiev, reduzindo reservas que nunca chegaram a se recompor totalmente.

O impacto financeiro também pesa, sobretudo porque a relação custo-benefício tende a favorecer o Irã. Um drone Shahed iraniano custa entre 20 000 e 50 000 dólares para ser produzido. Abatê-lo com um Patriot significa gastar perto de 4 milhões de dólares. Isso ajuda a elevar ainda mais o preço dessa guerra, que é mal vista por parte da opinião pública nos Estados Unidos.

Donald Trump havia prometido uma vitória rápida e, no início do conflito, garantiu que os estoques de munição “nunca estiveram tão altos”. Os dados indicam o contrário. Embora Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, diga que as Forças Armadas “têm tudo de que precisam”, o CSIS adota um tom bem mais cauteloso. Os Estados Unidos até conseguem continuar lutando contra o Irã, mas ao custo de um enfraquecimento estrutural do próprio arsenal.

Uma ameaça muito mais perigosa

Para recompor os estoques aos níveis anteriores à guerra, serão necessários entre um e quatro anos. Isso porque os prazos de fabricação são estruturalmente longos: 42 meses para um Patriot e 64 meses para um SM-3. Mesmo que o Congresso aprove o orçamento recorde de defesa de 1 500 bilhões de dólares solicitado por Trump para 2027, as primeiras entregas só devem aparecer depois de vários anos.

O problema é que cresce o receio de um embate com um adversário muito mais sofisticado. A China mira Taiwan há anos e pode estar perto de tentar uma ofensiva. Um conflito com Pequim, porém, consumiria munições em um ritmo muito mais intenso e os estoques atuais limitariam severamente as operações norte-americanas.

Segundo a análise, trata-se de um risco que o governo Trump parece ter aceitado, apostando em uma vitória rápida no Irã apesar de um conflito que se prolonga.

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