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AirAsia faz pedido de 150 Airbus A220 e mantém opção para mais 150

Dois homens de terno com gravata vermelha apertam as mãos em frente a um avião da AirAsia no aeroporto.

A AirAsia acaba de formalizar um pedido de grande porte de 150 Airbus A220, com opção para outras 150 unidades - um reforço valioso para um programa que vinha precisando de um impulso.

Para a Airbus, o anúncio é especialmente positivo: a companhia aérea malaia AirAsia encomendou 150 A220-300. A comunicação foi feita nas proximidades de Montréal, no Canadá, onde o modelo é montado.

AirAsia e a aposta no A220-500

A compra não se limita ao A220-300. A AirAsia também está a posicionar-se para a próxima evolução do avião. O CEO, Tony Fernandes, afirma que quer ser o cliente de lançamento do A220-500, uma versão com 180 assentos que, na visão dele, poderia substituir os A320 na frota da empresa. Para isso, a companhia mantém uma opção para mais 150 aeronaves dessa variante maior.

Do lado da Airbus, a mensagem é de que o calendário está a avançar: a fabricante garante que uma decisão sobre esse novo modelo deve sair antes do fim do ano. “Vejo muita procura”, declarou Lars Wagner, responsável pela aviação comercial do grupo.

Um alívio para um programa sob pressão

O timing dessa megaencomenda é oportuno para a Airbus, já que o programa A220 atravessa um período particularmente sensível. O avião foi desenvolvido inicialmente pela canadense Bombardier com o nome CSeries; a Airbus assumiu o programa em 2018. Nos últimos meses, porém, os obstáculos têm-se acumulado.

Motores Pratt & Whitney e aeronaves paradas

A principal fonte de problemas tem sido a motorização. O A220 utiliza os turbofans Pratt & Whitney PW1500G, os mesmos da família A320neo. Esses motores passaram a apresentar falhas de materiais, o que levou a inspeções e a imobilizações obrigatórias. Em fevereiro do ano passado, a Air France precisou manter sete de seus A220 no solo. No cenário global, quase uma centena de aeronaves chegou a ficar parada ao mesmo tempo.

Além disso, o A220 enfrenta a pressão crescente do Embraer E2, seu concorrente mais direto nessa faixa de mercado. No ano passado, a fabricante brasileira vendeu três vezes mais aviões do que a Airbus nessa categoria e, em março, a Finnair optou pelo E2 em vez do A220 para renovar a sua frota - um revés para a Airbus, que depende de pedidos desse porte para recuperar terreno.

Contexto turbulento para a Airbus

No primeiro trimestre de 2026, a Airbus entregou 114 aeronaves, uma queda de 16% em relação ao ano anterior - o pior começo de ano desde 2007. Ainda assim, apesar do cenário adverso, o A220 continua a ser bem avaliado: cabine mais larga, janelas maiores e consumo mais baixo. Na prática, ele registra cerca de 25% menos emissões de CO2 por assento do que aviões mais antigos da mesma classe.

Com esse contrato, a Airbus ganha fôlego para tentar retomar o ritmo do A220 e, possivelmente, estimular outras companhias a seguirem o caminho aberto pela AirAsia.

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