Ao apostar em John Ternus, a Apple dá sinais de que pretende colocar o seu futuro nas mãos de alguém com formação em engenharia - tão confortável na estratégia quanto na “mecânica” dos produtos. Um retrato de quem aparece como o sucessor natural de Tim Cook no comando da empresa da Maçã.
Depois de assumir a liderança da Apple em 2011, sucedendo Steve Jobs, Tim Cook deve deixar o cargo de CEO em setembro. Para muitos analistas, o nome mais óbvio para a sucessão é John Ternus, visto como alguém que reúne os requisitos para conduzir a marca para uma nova fase.
Como foi o percurso dele antes de chegar à Apple?
Nascido em 1975, John Ternus é o atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware da Apple. Mesmo ocupando uma função de enorme visibilidade interna, ele nunca pareceu buscar holofotes. Quase não há informações públicas sobre infância ou origem, mas um traço se destaca: desde cedo, demonstrou apreço por qualidade - e também por competição.
Formado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia, ele também se destacou nas piscinas, chegando a ser campeão de natação do campus em 1994.
Essa vivência ajudaria a moldar seu estilo de trabalho: disciplina, constância e atenção extrema aos detalhes. Antes de entrar na Apple, em 2001, ele passou quatro anos na Virtual Research Systems, empresa focada em interfaces e realidade virtual - uma experiência que funcionou como laboratório perfeito para alguém que viria a se tornar referência em hardware.
Como John Ternus virou um dos pilares do hardware em Cupertino?
Quando chegou à Apple, John Ternus entrou para a equipe de design de produto, a elite da engenharia interna. Naquele período, ele trabalhou inicialmente com monitores externos do Mac e, pouco depois, passou a atuar em projetos muito mais simbólicos, como os iPods - linhas que ajudaram a redefinir a imagem da empresa e nas quais ele teve participação relevante.
Reservado, mas extremamente eficiente, Ternus avançou de forma consistente na hierarquia. Em 2013, ele sucedeu Dan Riccio como vice-presidente de engenharia de hardware, um posto central que o colocou à frente de todas as equipes de hardware da companhia. Oito anos mais tarde, ele foi promovido a vice-presidente sênior.
A trajetória - estável e sem sobressaltos - combina com a cultura da Apple: evolução paciente, padrão alto e busca constante por excelência. É justamente esse conjunto que hoje faz dele o candidato mais evidente para substituir Tim Cook.
Quais produtos e inovações levam a assinatura dele?
Ao longo de mais de duas décadas, John Ternus marcou presença em praticamente todos os produtos-chave da Apple. Sob sua condução, as equipes desenvolveram todas as gerações de iPad, além dos iPhones, incluindo o modelo iPhone Air, apresentado como uma das maiores reformulações de design da década. Nessa mesma lista entram os Macs e os AirPods, cujas mudanças ele acompanha de perto, sempre equilibrando salto tecnológico e refinamento estético.
Ainda assim, o feito mais emblemático do seu histórico é a transição histórica dos Macs para os chips Apple Silicon. A mudança, ao mesmo tempo técnica e estratégica, permitiu à empresa se libertar da dependência da Intel, elevar desempenho e diminuir o consumo de energia. O resultado foi amplamente elogiado tanto pela imprensa quanto pelos usuários.
Por que John Ternus é o melhor perfil?
Como explicou o jornalista Mark Gurman, conhecido por informações precisas sobre os bastidores de Cupertino, a Apple buscava acima de tudo um tecnólogo para suceder Tim Cook - alguém capaz de recolocar a inovação no centro do motor. Nesse ponto, John Ternus atende a todos os critérios: com base sólida em engenharia, ele conhece os produtos a fundo e entende as particularidades dos ecossistemas integrados que sustentam a força da marca.
Num momento em que a Apple coloca muito dinheiro em IA, realidade mista e casa conectada, a escolha de um especialista em hardware se impõe como a opção mais lógica. Aos 50 anos - a mesma idade que Tim Cook tinha quando assumiu em 2011 - Ternus representa uma combinação de continuidade e renovação.
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Dentro da empresa, sua atuação ganhou uma amplitude notável. Hoje, Ternus não fica restrito a coordenar a engenharia: ele também participa da estratégia de produto e do planejamento do futuro portfólio, um sinal forte de que vinha se aproximando do topo.
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