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A partir de que temperatura a canícula na França se torna perigosa para a saúde

Homem espirrando enquanto lava o rosto ao lado de mesa com frutas e jarra de água com limão.

Enquanto uma nova canícula atinge o sul da França, surge a dúvida: a partir de qual temperatura ela pode se tornar perigosa para a saúde.

Seria preciso morar numa caverna (literalmente) para não ter percebido: nas últimas semanas, a França vem enfrentando uma canícula histórica, com recordes de calor em um grande número de municípios do chamado “Hexágono”.

Diante de uma escalada assim, os riscos para a saúde são concretos? Sim. De forma direta: é possível morrer de calor. A canícula de 2003 é o exemplo mais marcante. Naquele verão excepcional, mais de 14000 pessoas morreram somente no mês de agosto.

Quando a canícula vira risco para a saúde?

Então, em que temperatura a vida fica em perigo? É preciso distinguir pessoas mais frágeis (bebês, idosos, gestantes) de quem está em excelente condição física? Na prática, a resposta é bem mais complexa do que parece.

Umidade: o fator-chave

No fim das contas, não é apenas a temperatura do ar que manda, e sim a umidade em um dado momento. Ela influencia fortemente a capacidade do corpo de eliminar calor por meio da transpiração. Por isso, é importante observar outro indicador: a chamada temperatura de bulbo úmido.

Quando esse valor ultrapassa 30° Tw, o corpo deixa de conseguir dissipar calor. A temperatura interna sobe até alcançar 42 ou 43 °C. Nesse patamar, ocorre hipertermia, e esse golpe de calor se torna fatal em poucas horas (entre quatro e seis, segundo os estudos). Trata-se de uma situação (extremamente rara) que afeta todas as pessoas da mesma forma, independentemente do estado de saúde.

Felizmente, a Tw quase nunca passa dos 30°. Mesmo com temperaturas acima de 40 °C, como deve acontecer na França nos próximos dias, seria necessária uma umidade superior a 50% para se chegar a esse cenário. Na história recente do planeta, a Tw atingiu níveis críticos na Índia e no Paquistão durante a canícula do verão de 2022.

O que fazer em caso de fortes calores?

Ainda assim, não é preciso chegar a temperaturas e níveis de umidade tão extremos para sofrer um golpe de calor. Como mencionado, alguns grupos são mais sensíveis ao calor intenso do que outros - em especial, idosos e crianças com menos de 4 anos. Para evitar um desfecho dramático, o governo reforça as medidas básicas. Hidratar-se é indispensável, mas há outras formas de ajudar a reduzir a temperatura corporal.

Alimentação e resfriamento do corpo

Também vale ajustar a alimentação. Algumas frutas e legumes têm alto teor de água (melão, melancia, além de abobrinha e pepino). Outra orientação é se refrescar, mas sem exagero. Mergulhar o corpo em água gelada tende a ter menos efeito do que usar água morna (em torno de 33 °C). Segundo cientistas, nessa temperatura a água demora mais para evaporar, o que faz a pele manter a sensação de frescor por mais tempo.

As ondas de calor precisam ser levadas a sério. Mesmo que não sejam fatais na imensa maioria dos casos, podem provocar distúrbios do sono, problemas de pele e alterações alimentares. No longo prazo, o calor intenso também afeta o sistema cardiovascular.

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