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Três meses com o MacBook Neo me fizeram mudar de opinião sobre o macOS

Mulher sorridente tomando café enquanto trabalha em laptop em mesa com caderno e fones sem fio.

Três meses com o MacBook Neo foram suficientes para eu rever meus preconceitos sobre o macOS. No fim das contas, não é nada mal…

No começo do ano, a Apple chamou atenção no mercado ao lançar um novo modelo, o MacBook Neo. A proposta é clara: usar uma chipset de iPhone para baixar o custo e, assim, atender quem não faz questão da ficha técnica mais “da moda” e só quer um portátil bonito para tarefas de escritório do dia a dia. Em plena crise de RAM, com o preço de quase tudo em tecnologia disparando, ele aparece como uma lufada de ar fresco.

O Romain, nosso editor-chefe - querido e respeitado -, já tinha testado o MacBook Neo no lançamento e cravou que ele era um marco para a Apple. Depois de 3 meses usando o aparelho, eu concordo… embora eu adicione algumas ressalvas a mais. Só que, após 90 dias com a máquina, o que mais me pegou mesmo foi outra coisa: o macOS.

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Ex-usuário de Windows para sempre

Antes de qualquer coisa, vale contextualizar minha trajetória. Há quase 30 anos, tive meu primeiro computador: um Compaq Presario com Windows 95. Na época eu não fazia ideia, mas aquele fascínio de criança viraria uma paixão - e depois, uma profissão.

De lá para cá, claro que a relíquia foi substituída, mas eu permaneci fiel ao sistema da Microsoft. Só em 2015 é que usei, de verdade, um MacBook pela primeira vez, quando entrei em uma empresa que só trabalhava com hardware da Apple. Durante dois anos, no ambiente profissional, convivi com um computador que me trouxe mais frustração do que alegria. Não exatamente por culpa do hardware, e sim porque o macOS, para mim, era um desastre de ergonomia: nada ficava onde eu esperava. Uma parte relevante dos meus dias virava pesquisa no Google para fazer coisas tão simples quanto desinstalar um programa ou digitar um “²”.

Corta para 2025. A Microsoft anunciou o fim do Windows 10, a atualização atual sofre com “merdificação”, e eu ainda carregava aquela lembrança ruim do macOS. Foi aí que resolvi me afastar um pouco das big tech americanas e entrar com seriedade no universo do código aberto, dando uma chance real ao Linux. Descobri ambientes gráficos que mudaram completamente meu jeito de usar um sistema, lógicas bem diferentes do que eu conhecia e também a “alegria” de passar quatro horas em documentação para entender por que algo que exige dois cliques no Windows não funciona nativamente ali (calma: um desenvolvedor independente mantém, sozinho, há 20 anos, um aplicativo open source que resolve exatamente essa lacuna).

Foi nesse cenário que me propuseram passar três meses com o MacBook Neo - e reencontrar o macOS.

Minha opinião sobre o MacBook Neo após 3 meses

Do ponto de vista técnico, o MacBook Neo é surpreendente. Eu, sinceramente, não acreditava que daria para fazer tanta coisa em um notebook equipado com uma chipset de iPhone - e, ainda assim, deu. Tirando jogos mais pesados (o Neo rodou muito bem vários indies), eu não precisei ligar meu desktop em nenhum momento durante todo o período.

Ainda assim, tenho críticas - começando pelo teclado sem retroiluminação. Como eu sou notívago, estou acostumado a trabalhar no escuro e, como não tenho tanta intimidade com a disposição das teclas em um teclado de Mac, isso me irritou em diversas ocasiões. A falta de biometria (disponível mediante mais 100 €) também pesa. Em 2026, ficar digitando senha o tempo todo em um portátil tem um ar bem “vintage”, e não no sentido positivo.

Fora esses pontos, em nenhum momento senti que o hardware estivesse me segurando. É verdade que, quando meu software de edição de fotos estava aberto com 18 abas, eu percebi algumas quedas de desempenho - mas, considerando a faixa de preço, não é nada inesperado. O macOS é leve, e a Apple sabe otimizar o conjunto; no dia a dia, isso conta muito.

Como quase sempre acontece com a empresa de Cupertino, o acabamento impressiona. O chassi é impecável e, apesar das bordas de tela um pouco grossas, não ter de conviver com um recorte (“notch”) - presente no restante da linha - é um bônus considerável. A tela, inclusive, tem ótima qualidade; a única crítica realmente forte vai para o vidro, que reflete demais. Para trabalhar de costas para uma janela grande ou ao ar livre, será melhor abandonar o tema escuro - caso contrário, prepare-se para apertar os olhos.

Mesmo com essa impressão geral positiva, eu deixo uma ressalva sobre a bateria. Algo em torno de 8 horas do 100 ao 0, além de um carregamento relativamente lento, está longe do que eu chamaria de impressionante. Eu esperava mais - especialmente porque essa é uma das grandes forças das chips M nos MacBook Air.

Aliás, é justamente o MacBook Air que, na minha visão, é a concorrência mais direta. Hoje já dá para encontrar MacBook Air M4 recondicionado por volta de 900 euros, e a diferença de preço faz sentido. Tela melhor, SoC melhor, conexões melhores, autonomia melhor… simplesmente melhor por 100 ou 200 euros a mais (dependendo da configuração de memória). Se comprar de segunda mão não te incomoda, a escolha fica bem fácil.

Minha (re)descoberta do macOS

Na minha primeira experiência com macOS, eu usava o MacBook quase sempre acoplado, com monitor externo, teclado e mouse. Desta vez, eu me obriguei a usar o MacBook Neo principalmente no modo portátil, sem acessórios. Só essa mudança de “mentalidade” me fez perceber que eu, pura e simplesmente, não tinha entendido o macOS.

Com uma mão no trackpad e o polegar na tecla CMD, o sistema começa a fazer sentido. O fato de um aplicativo em tela cheia abrir automaticamente uma nova área de trabalho virtual deixa o uso desses espaços muito mais natural do que no Windows ou no Linux com KDE “puro”. Em pouco tempo, você se pega deslizando três dedos no trackpad: para a esquerda e para a direita, alternando entre os aplicativos organizados do jeito que você preferiu; ou para cima, abrindo uma visão geral das janelas e “varrendo” num relance tudo o que está aberto. No modo notebook, com apenas uma tela, essa simplicidade e essa fluidez realmente mudam o jogo.

De 2015 para cá, o macOS também amadureceu bastante. Se naquela época eu me sentia travado por opções de software que eram incompletas ou caras demais, agora não encontrei esse tipo de atrito. Em nenhum momento alguém me exigiu baixar um PeaZip só para descompactar um arquivo, por exemplo: o Finder finalmente deu conta de abrir tudo o que eu precisei nesse período.

Nem tudo, porém, é perfeito. Ainda considero alguns atalhos pouco intuitivos; a desinstalação de aplicativos carece de uma confirmação mais clara; e o visual Liquid Glass perde legibilidade em alguns trechos (no Tahoe 26.5). Ainda assim, no geral, quando você se acostuma com a lógica do sistema, a filosofia do macOS é absurdamente eficiente.

Depois de três meses de uso intenso, existe um ponto em que eu continuo patinando: o teclado. Nos meus textos, eu uso com frequência aspas francesas, colchetes e, às vezes, um número em sobrescrito. Toda vez, eu acabo apertando uma combinação enorme de teclas até achar a certa. Eu também sigo apanhando para diferenciar, com segurança, quando usar atalhos com CMD, Option ou Control - com ou sem a tecla MAJ. Agora imagine isso no escuro, em um teclado sem iluminação.

Outra irritação, ainda relacionada ao teclado: acho a janela de emojis pouco responsiva, e o uso com mouse poderia ser menos “sensível”. É fácil demais clicar no espacinho entre dois emojis e simplesmente fechar a janela.

Por fim, a falta de abertura do ecossistema Apple continua, invariavelmente, desanimadora. Não conseguir transferir um arquivo via USB de um smartphone Android de forma simples é um absurdo, por exemplo. Eu sei que existem alternativas, como o OpenMTP, mas custa tanto assim oferecer um recurso nativo no sistema? Ainda bem que soluções sem fio, como o LocalSend, já se multiplicaram.

Mesmo em três meses, também ficou claro que eu ainda deixei passar muita coisa que utilitários de terceiros oferecem. Eu não instalei nem Alfred nem Raycast - dois nomes muito recomendados por usuários avançados - e, no fim, meu uso permaneceu bem focado no trabalho. Embora eu normalmente goste de mexer “no motor”, desta vez não senti necessidade; e foi aí que eu entendi a maior força do macOS: entregar uma solução pronta, agradável de usar e sem complicação.

macOS me fez repensar meu fluxo de trabalho

Depois de três meses no MacBook Neo, voltar para um notebook com Windows parece um salto para trás. Mesmo criando áreas de trabalho virtuais, a praticidade do dia a dia fica a anos-luz do que o macOS entrega.

Por outro lado, no Linux, com as configurações certas, dá para chegar perto do melhor dos dois mundos. Alguns ambientes vão além com o tiling, que permite organizar janelas e áreas de trabalho inteiramente pelo teclado, sem encostar no mouse. Dá trabalho reaprender a usar o computador, mas justamente por isso é tão prazeroso sentir que você recupera o controle. Ainda assim, o macOS tem cartas fortes contra o Linux - começando por uma loja oficial completa. Você não precisa instalar um app alternativo só para usar o WhatsApp, uma das mensagens mais usadas do planeta… Mas eu ainda vou falar de Linux com mais calma em outro texto que sai em breve no Presse-citron.

Então, eu recomendo o macOS - e, mais especificamente, um MacBook? Sim, sem dúvida. Para a maioria das pessoas, que não quer colocar a mão em código aberto só para mandar mensagem para o companheiro ou companheira, é a melhor opção. E, sobre o MacBook Neo, a ideia é excelente: ele encontrou um equilíbrio inteligente para tornar quase indolor a alta estratosférica no preço de certos componentes de informática. Nesse ponto, eu fecho com o Romain: o MacBook Neo vai marcar a história da Apple e, tomara, se firmar por muito tempo como a porta de entrada do catálogo. Eu já fico na expectativa da próxima geração para ver se esses pequenos tropeços do modelo serão corrigidos rapidamente - ou não.

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