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ONU cria painel de especialistas em IA para orientar decisões globais

Grupo de seis profissionais asiáticos em reunião com holograma de globo terrestre na mesa de vidro.

A ONU colocou em funcionamento um painel de especialistas em IA com a missão de munir os tomadores de decisão com evidências científicas independentes.

Nos últimos dias, o secretário-geral das Nações Unidas cobrou das empresas de IA mais atenção ao impacto climático de suas operações, pedindo, em especial, transparência sobre as emissões associadas aos centros de dados e compromissos de uso de energias renováveis nessas infraestruturas consideradas vitais para a inteligência artificial. Agora, nesta semana, um painel independente da organização volta ao tema da IA - desta vez para abordar os benefícios e os riscos dessa tecnologia para a humanidade.

O que traz o relatório preliminar do painel da ONU sobre IA

O documento inicial foi produzido por um grupo de 40 especialistas. Segundo o texto, a IA pode impulsionar avanços relevantes para a humanidade quando aplicada de modo responsável, mas também pode “agravar as desigualdades, disseminar a desinformação, ameaçar os direitos humanos, perturbar os mercados de trabalho e colocar sistemas poderosos de IA nas mãos de um número muito pequeno de governos e empresas.”

Benefícios e riscos da IA apontados pelos especialistas

O painel ressalta que a IA já demonstra um potencial expressivo em áreas como medicina, agricultura e pesquisa. Ao mesmo tempo, os especialistas alertam para usos maliciosos da tecnologia, incluindo a criação de deepfakes, efeitos sobre a saúde mental de alguns usuários e a adoção dessas ferramentas por redes de cibercrime.

Rumo a uma regulação internacional da IA?

Há ainda a preocupação de que a IA amplifique desigualdades no mundo. Isso porque, “embora seja usada no mundo inteiro, seu acesso segue fortemente concentrado nos países desenvolvidos”, conforme explica uma publicação da ONU. Os modelos de IA mais poderosos estão concentrados nos Estados Unidos e na China, enquanto países em desenvolvimento não dispõem de dados, infraestrutura e conhecimento especializado para aproveitar plenamente os benefícios da IA.

Apesar disso, o painel independente não tem como objetivo propor uma regulação mundial para a IA; sua função é oferecer fundamentos científicos capazes de orientar os responsáveis por políticas públicas. Esses trabalhos poderão, por exemplo, servir de base para o Diálogo Global das Nações Unidas sobre a governança da IA (que começa neste mês de julho), no qual os Estados-membros poderão debater abordagens para administrar essa tecnologia em escala internacional.

“Em um mundo em que a IA avança em uma velocidade impressionante, este painel trará o que faltava até agora: uma análise científica rigorosa e independente”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.

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