A TAP voltou a acessar o mercado na semana passada e captou €350 milhões por meio de uma emissão de obrigações com prazo de cinco anos, pagando uma taxa de juros de 4,75%. A operação indica condições de financiamento mais favoráveis e representa uma economia anual de €1,5 milhões em comparação com a última emissão, feita em novembro de 2024, com juros de 5,125%.
Emissão de obrigações da TAP de €350 milhões: custo e contexto
O custo obtido agora é o mais baixo desde 2019, período anterior à pandemia, quando a empresa tinha como acionista o norte-americano David Neeleman. "A TAP captou €350 milhões com o menor prémio de risco dos últimos sete anos, preparando-se para um novo ciclo de crescimento após o fim das restrições impostas pela Comissão Europeia à expansão da frota", observa o analista especializado em aviação Nuno Esteves.
Além do corte nos juros em relação a emissões anteriores, a operação reflete, segundo o analista, "a melhoria do perfil financeiro, o reforço da rentabilidade operacional, a diminuição do endividamento e o aumento da confiança dos investidores" na companhia portuguesa. De modo geral, os resultados da TAP têm evoluído melhor na maioria dos indicadores, e a transportadora segue líder no mercado brasileiro, com a demanda permanecendo elevada.
Spread de crédito: queda e impacto nos encargos financeiros
A redução do spread de crédito (em relação às obrigações da República da Alemanha) para 221 pontos-base, conforme explica o analista em uma avaliação que compara a performance da companhia liderada por Luís Rodrigues com emissões anteriores, mostra uma melhora de 413 pontos-base frente ao pico pré-pandemia. Esse movimento permite reduzir os encargos financeiros em €1,5 milhões por ano na comparação com a última emissão de dívida.
Como referência, em novembro de 2024, a TAP emitiu €400 milhões em dívida, com vencimento em 2029, a uma taxa de 5,125%.
TAP paga mais do que as congêneres
Mesmo com a melhora do custo de captação, a TAP ainda apresenta um custo de dívida acima do observado nas principais companhias aéreas europeias e precisou pagar mais na emissão de obrigações do que suas congêneres nas transações mais recentes.
Nas emissões mais recentes, a Lufthansa captou a 4,125% e a Air France-KLM a 3,75%. Já a Finnair, também recentemente, conseguiu emitir obrigações a 4,25%, enquanto a IAG o fez a 3,875%. "Este diferencial sugere que os investidores continuam a atribuir à transportadora portuguesa um perfil de risco superior ao das suas congéneres europeias", argumenta o analista.
Fim das restrições da Comissão Europeia e plano de frota da TAP
De acordo com o analista, a nova emissão tem um duplo objetivo: substituir financiamento "mais oneroso" por condições mais vantajosas e, ao mesmo tempo, "reforçar a capacidade de investimento da TAP num momento particularmente relevante para a empresa". Isso ocorre com o fim das restrições impostas pela Comissão Europeia no âmbito do plano de reestruturação, que limitaram a frota a 99 aeronaves, criando espaço para uma nova etapa de crescimento.
Essa expansão, segundo a avaliação, deverá ocorrer por meio da renovação e, mais adiante, da ampliação da frota.
A TAP tem atualmente duas emissões de obrigações em circulação, somando €666,4 milhões.
Adiante, com a privatização e a integração em um grupo maior e financeiramente mais robusto - como Lufthansa ou Air France/KLM -, a TAP tende a se beneficiar de uma redução do prêmio de risco normalmente exigido pelos investidores, o que deve se traduzir em menor custo de financiamento.
"A diferença face às congéneres evidencia que os mercados continuam a atribuir à transportadora portuguesa um perfil de risco mais elevado do que o das suas congéneres europeias, apesar da recuperação operacional alcançada nos últimos anos", afirma Nuno Esteves.
O analista acrescenta que esse diferencial também decorre da menor escala da TAP em comparação com os grandes grupos europeus, do histórico recente de reestruturação financeira, da menor liquidez de suas emissões de obrigações e de alguma incerteza ligada ao processo de privatização, que segue influenciando a percepção dos investidores sobre a evolução futura da empresa.
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