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Flávio Bolsonaro pede aos EUA que não imponham tarifa de 25% ao Brasil e cita eleições em 90 dias

Homem em terno fala segurando gráficos em reunião com bandeiras do Brasil e EUA ao fundo.

Audiência pública do USTR e proposta de tarifa de 25%

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, participou de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a taxação de produtos brasileiros e argumentou que a iniciativa acabaria beneficiando os atuais governantes do Brasil.

Os EUA abriram na segunda-feira a audiência pública para discutir novas tarifas sobre itens do Brasil, em proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR, na sigla em inglês).

Segundo o USTR, práticas brasileiras ligadas ao PIX, decisões do Judiciário contra grandes empresas de tecnologia, ações de combate à corrupção, regras de propriedade intelectual, condições de acesso ao etanol e políticas de combate ao desmatamento, entre outros pontos, seriam restritivas ao comércio norte-americano.

Para o USTR, o Brasil adotaria práticas econômicas desleais em relação às empresas dos EUA e, por isso, a nova barreira comercial seria justificada com uma alíquota de 25%.

Flávio Bolsonaro fala em inglês e cita eleições em 90 dias

Ao se dirigir ao público, em inglês, Flávio Bolsonaro evitou citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que disputa um quarto mandato, mas chamou atenção para o calendário eleitoral ao afirmar que o Brasil terá eleições dentro de 90 dias.

"Em apenas 90 dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente. Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter" iria premiar "aqueles que são responsáveis pelas ações em questão", disse. Na sequência, destacou que "seria o pior momento possível para agir".

O senador também recordou que o primeiro aumento tarifário, em 2025, não gerou os efeitos esperados por Washington.

"Em vez disso, elas foram exploradas politicamente pelo atual Governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro, exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões", indicou.

PIX, reação em Brasília e impacto nas exportações

Ainda durante a audiência pública nos EUA, Flávio Bolsonaro defendeu o sistema brasileiro de pagamento instantâneo.

"Não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do PIX e cancelem esta medida para que possamos negociar", declarou.

De acordo com apuração da Lusa junto ao Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro optou por não se inscrever nas audiências públicas, por considerar que esse tipo de espaço é voltado a manifestações do setor produtivo, enquanto Brasília e Washington conduzem tratativas diretas.

O presidente Lula da Silva e o Ministério das Relações Exteriores classificam Flávio Bolsonaro como "traidor da pátria", por entenderem que o bolsonarista teria articulado com a Casa Branca sanções contra o Brasil com o objetivo de interferir na política interna em Brasília.

Caso as novas taxas sejam adotadas pelos EUA, mais de 4100 produtos brasileiros podem ser atingidos, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A projeção da principal entidade do setor industrial aponta que esses itens somam 14,9 bilhões de dólares em exportações, o que corresponde a 13 bilhões de euros.

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