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Roland-Garros: Adolfo Daniel Vallejo é multado em 65.000 dólares após fala sexista

Tenista jovem com uniforme branco sentado em mesa, falando em entrevista com microfones à sua frente.

Em Roland-Garros, o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo afirmou que a partida dele pela segunda rodada deveria ter sido conduzida por um homem, por considerar que uma mulher não conseguiria lidar com um nível de pressão daquele tamanho. A declaração saiu cara: 65.000 euros de multa, valor equivalente à metade do prêmio que ele recebeu.

Um duelo de quase 5 horas em Roland-Garros

Na quinta-feira, 28 de maio, Adolfo Daniel Vallejo viveu um dos jogos mais intensos da carreira em Roland-Garros. Do outro lado da quadra estava o francês Moïse Kouame, que fazia sua estreia em um Grand Slam com apenas 17 anos.

Como era de se esperar, os 10.000 torcedores estavam majoritariamente a favor do jovem talento da casa, e o clima foi claramente elétrico. Mesmo assim, o paraguaio, de 22 anos e 71º do mundo, quase conseguiu um grande resultado: perdendo por 2 sets a 0, ele buscou o empate em 2 sets a 2 antes de cair no tie-break do 5º set, 7-6 (8). Ao todo, a partida durou 4 horas e 56 minutos.

O que Adolfo Daniel Vallejo disse sobre a arbitragem

Depois da derrota, Vallejo falou à revista especializada Clay - e, ao que tudo indica, teria sido melhor ter se contido. Ele criticou abertamente a arbitragem da brasileira Ana Carvalho, dizendo que ela não conseguiu controlar o público e que também não puniu tempos médicos que ele considerou excessivos de Kouame.

Esse tipo de partida deve ser apitado por um homem, é muito difícil para uma mulher, é preciso muita força para ir contra o público, disparou. A fala, abertamente sexista, repercutiu de forma imediata.

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Desculpas tardias

A reação dos organizadores foi rápida. A Federação Francesa de Tênis (FFT) e a diretora do torneio, Amélie Mauresmo, classificaram as declarações de Vallejo como “inaceitáveis. Com isso, ele acaba de receber uma multa de 65.000 dólares, o que representa aproximadamente metade do prêmio dele pela segunda rodada. Trata-se de uma das punições mais pesadas da história dos Grand Slams, ainda que o regulamento preveja um teto de 100.000 dólares para conduta antidesportiva.

O torneio também fez questão de manifestar apoio à árbitra alvo das críticas. “A competência de um árbitro não se define pelo gênero, e sim pelo profissionalismo”, reforçou a FFT em comunicado, condenando “firmemente qualquer declaração sexista, seja qual for a sua origem”.

Por sua vez, Vallejo, que disputava seu primeiro Roland-Garros, publicou um pedido de desculpas no Instagram. “Eu respeito os árbitros e o trabalho deles. Depois de uma partida de 5 horas, eu estava muito exaltado e senti muitas emoções”, escreveu. Talvez tarde demais. Ao longo da carreira, o paraguaio somou pouco mais de 500.000 dólares em prize money. Perder 65.000 dólares de uma vez não é algo irrelevante.

O caso reforça como o sexismo continua profundamente enraizado no esporte. De acordo com dados da Oxfam, apenas 4% do conteúdo da mídia esportiva é dedicado às mulheres, e somente 0,4% do patrocínio mundial é direcionado a elas. E, pelo visto, mulheres em funções de liderança ou de arbitragem seguem longe de estarem protegidas desse tipo de ataque.

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