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Walter Arnold e a primeira multa por excesso de velocidade em 1896

Carro antigo dourado exposto em museu com placa "FIRST TICKET" e fundo em preto e branco de rua histórica.

Hoje, os limites estão bem demarcados, as multas chegam pelo correio e os radares funcionam sem pausa. Só que, se voltarmos ao início da era do automóvel, já existiam regras, restrições e até polícia pronta para intervir - mesmo quando ver um carro na rua ainda era algo raro.

E, quando falamos em começo do automóvel, é começo mesmo. Estamos em 1896, pouco mais de dez anos depois de aparecerem as primeiras “carroças sem cavalos”.

Regras e limites nos primórdios do automóvel

A bandeira vermelha e o limite de 2 mph

Dentro das localidades, o limite de velocidade era de duas milhas por hora (mph), o que dá cerca de 3,2 km/h - praticamente um passo lento. E a coisa ficava ainda mais inusitada: a lei determinava que um homem fosse na frente do automóvel, caminhando, balançando uma bandeira vermelha para avisar as pessoas de que aquele objeto barulhento e possivelmente perigoso estava se aproximando.

Walter Arnold e o escândalo a 13 km/h

Foi nesse cenário que Walter Arnold, engenheiro e empreendedor britânico, acabou entrando para a história. Não por criar uma invenção, mas por ser o primeiro condutor multado por excesso de velocidade.

Arnold tinha autorização para fabricar automóveis da Benz no Reino Unido e havia fundado a Arnold Motor Carriage. O veículo envolvido, chamado de Arnold Benz, era uma adaptação feita localmente do Benz 1 ½ hp Velo, um dos primeiros automóveis já produzidos.

O que deu errado? Arnold ignorou o homem da bandeira vermelha… e resolveu acelerar.

Em Paddock Wood, no condado de Kent, Walter Arnold foi flagrado em 28 de janeiro de 1896 circulando a cerca de 8 mph, o mesmo que 12,8 km/h. Em outras palavras, quatro vezes acima do limite permitido. Hoje isso seria menos do que a velocidade de um patinete, mas, em 1896, bastou para provocar uma perseguição policial feita… por um agente em uma bicicleta.

No fim, Arnold foi detido, levado a julgamento e condenado a pagar um xelim (em poder de compra, hoje equivaleria a pouco mais de 10 euros), além de custos administrativos. Essa foi, oficialmente, a primeira multa por excesso de velocidade da história - e ainda teria desdobramentos.

Ironia do destino (e da legislação)

A história ganha um toque de ironia logo depois. Pouco tempo após o episódio, o Parlamento britânico aprovou o Locomotives on Highways Act, que elevou o limite para 14 mph (22,5 km/h) e acabou com a exigência da bandeira vermelha.

Para comemorar essa libertação - no sentido literal -, foi organizada a Emancipation Run, uma corrida entre Londres e Brighton para provar que os carros já não precisavam seguir, constrangidos, atrás de um pedestre. Walter Arnold, naturalmente, participou da disputa. E o evento continua existindo até hoje, com o nome London to Brighton Veteran Car Run, reservado a automóveis fabricados até 1905.

Mais de um século depois, esse caso segue lembrando que a ligação entre automóvel, lei e velocidade começou bem antes - e em um ritmo bem mais lento - do que muita gente imagina.

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