A Stellantis encerra um capítulo espinhoso da sua trajetória: a família PureTech, que virou sinónimo de falhas em grande escala e de um desgaste sério de reputação, está a ser deixada para trás. Sob a liderança do novo presidente do grupo, Antonio Filosa, a aposta passa a ser nos motores italianos FireFly - uma escolha que altera o equilíbrio interno e devolve protagonismo à unidade de Termoli.
Fim do PureTech no discurso (e o peso do histórico)
O nome PureTech já foi retirado da comunicação: os franceses agora preferem a designação Turbo, apesar de, do ponto de vista técnico, continuarem a ser os mesmos motores EB2. Ainda assim, dentro da Stellantis a disposição de atrelar o futuro a um conjunto mecânico que, durante uma década, gerou disputas judiciais e reclamações de garantia por toda a Europa praticamente desapareceu.
Há descontentamento na fábrica de Douvrin, mas a mudança de rota é tratada como definitiva: FireFly passa a ocupar o papel de novo motor “de base” do grupo para a fase Euro 7.
FireFly e Euro 7: o novo motor-base da Stellantis
O movimento chama a atenção porque, antes, esses propulsores italianos tinham sido praticamente colocados “no ‘exílio’” - Tavares planejava substituí-los integralmente pelo PureTech no mercado europeu. Só que os bons indicadores de confiabilidade reescreveram o plano.
Neste momento, o FireFly aparece em apenas três modelos - Alfa Romeo Tonale, Fiat Pandina e o novo 500 Hybrid - mas é exatamente nesse conjunto que a Stellantis diz enxergar o alicerce do futuro dos motores a combustão.
Atualizações técnicas e caminho para híbridos
O grupo já iniciou uma atualização técnica da família para cumprir o Euro 7. Não se trata apenas de micro-hibridização de 48 volts: o programa inclui estender o ciclo de vida do FireFly muito além de 2030 e, em paralelo, desenvolver uma transmissão eletrificada de dupla embraiagem.
O FireFly é oferecido nas versões 1.0 com 70 cv e 1.5 Turbo com 130–160 cv. Esta última é a utilizada no Tonale e apresenta características que a Stellantis quer levar para um número maior de modelos. Com isso, abre-se também espaço para arquiteturas híbridas mais avançadas - chegando a HEV e PHEV completos, com potencial para disputar eficiência com soluções japonesas.
Dessa forma, um motor italiano que já tinha sido dado como carta fora do baralho passa a ser uma peça central da estratégia da Stellantis no período de regulação ambiental mais rígida já visto na história europeia.
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