A IDC divulgou seus dados mais recentes sobre o mercado mundial de PCs. O cenário não surpreende: as vendas despencam, enquanto a receita ainda não acompanha a mesma queda.
Em momentos de crise na indústria, quem acaba pagando a conta costuma ser o consumidor. Com a escassez de memória RAM elevando os preços, as vendas de PCs estão em baixa. É o que mostram os números apresentados hoje pela IDC - e eles estão longe de animar.
Mercado mundial de PCs em números no 2º trimestre de 2026
No 2º trimestre de 2026, as remessas de PCs (somando todas as marcas) recuaram quase 4,9% em comparação com o mesmo período de 2025. Trata-se da primeira vez em nove trimestres que o setor registra queda anual. Ainda assim, “apenas” 68,2 milhões de máquinas foram vendidas no mundo.
Fabricantes aumentam os preços
De acordo com a IDC, essa retração ainda não afeta (por enquanto) os fabricantes. A razão é simples: os fornecedores reajustaram os preços para cima, o que puxou a receita, como explica Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa da consultoria:
“O verdadeiro desafio está no descompasso entre volumes vendidos e faturamento: as remessas caem, mas a receita cresce, porque os fornecedores aplicam aumentos de preços mais rápidos do que a demanda diminui.”
Em outras palavras, os fabricantes inflaram o valor final bem antes de sentirem com força a crise da RAM, mantendo-se relativamente protegidos. Mais uma vez, quem sai prejudicado é o consumidor - que, vale lembrar, apenas sofre os efeitos da obsessão por IA dos grandes grupos, que estão concentrando memória RAM.
Escassez de memória RAM e efeitos da IA devem se prolongar
Na avaliação de Ubrani, o quadro tem tudo para continuar:
“Diante da piora do cenário macroeconômico e de uma escassez de memória que não deve aliviar antes do início de 2028, não esperamos um novo aumento de estoques, o que indica uma desaceleração clara do crescimento no segundo semestre de 2026. Os fornecedores estão se preparando para novos aumentos de preços em 2027, e os distribuidores já se preocupam com níveis de estoque elevados a esses preços mais altos.”
Apple se destaca
Entre a maioria dos fabricantes, a queda nas vendas é considerável - com uma exceção: a Apple. A empresa de Cupertino vem se beneficiando do sucesso do MacBook Neo, lançado em março, e registra crescimento de 10% frente ao mesmo período do ano anterior, como detalha Jean-Philippe Bouchard, vice-presidente do estudo de dispositivos de consumo da IDC:
“O ganho de participação de mercado da Apple coincidiu com o lançamento de seu produto mais recente, o MacBook Neo. Embora a empresa tenha aumentado seus preços para se alinhar ao mercado em geral, ela segue bem posicionada diante de concorrentes que enfrentam as mesmas pressões de custo.”
É um resultado que a concorrência gostaria de repetir. Na Computex, diversas marcas anunciaram PCs com design premium, porém com preços acessíveis, para disputar espaço com a Apple no próprio terreno. Entre elas estão Asus, Acer, Dell e Tecno. Esse novo segmento pode rapidamente virar o novo motor do mercado, já que a crise da memória RAM dá sinais de que vai durar.
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