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Volkswagen T-Roc pode estrear tecnologia full hybrid feita em Portugal

Carro branco VW híbrido em exposição dentro de showroom moderno com piso refletivo.

Volkswagen raramente é vista como a marca que “abre caminho” em novas tendências. Ao longo da sua história, o grupo alemão quase sempre preferiu apostar no que já estava bem testado - com poucas exceções. Quando o assunto é tecnologia híbrida, porém, essa postura conservadora foi levada ao limite.

Nos últimos 30 anos, o Grupo Volkswagen praticamente deixou de lado os motores híbridos (ou, se preferir, full hybrid). Vale lembrar que esse tipo de sistema foi popularizado pela Toyota nos anos 1990, quando lançou a primeira geração do Toyota Prius.

Por que o full hybrid ganhou espaço na Europa

Os benefícios são amplamente conhecidos: ao combinar um motor a combustão com um motor elétrico de apoio, é possível reduzir consumo e emissões em milhões de carros. E tudo isso sem exigir que o motorista mude hábitos - nem depender de grandes investimentos em infraestrutura.

A Toyota deu a largada, mas hoje diversas marcas já oferecem motores híbridos em suas linhas, como Renault, Dacia, Hyundai, Kia, MG, Nissan, Honda e, claro, a Lexus.

Quem ficou de fora desse movimento, por bastante tempo, foram as marcas do Grupo Volkswagen. Só que esse cenário está prestes a virar - e a mudança pode ter “assinatura” portuguesa.

Mas por que demorou tanto?

O atraso do Grupo Volkswagen nos motores híbridos, ou full hybrid, tem um motivo bem direto: TDI. Na busca por menor consumo e menos CO₂, o grupo alemão concentrou quase todas as fichas nos motores Diesel.

Só que a mudança de políticas na UE - em parte impulsionada pelo escândalo de emissões Dieselgate, no qual a Volkswagen foi um dos principais envolvidos - tirou do gigante alemão um de seus maiores trunfos: os motores Diesel. Essa “orfandade” também pode ser observada em outras marcas alemãs, como a BMW, por exemplo.

A transição aconteceu de forma brusca. Saíram dos Diesel e foram direto para os 100% elétricos ou, como alternativa, para os híbridos plug-in, que combinam motores a combustão em ciclo Otto ou Miller (mais eficientes) com um motor elétrico alimentado por um generoso pack de baterias.

O passo intermediário nunca veio: os full hybrid, concebidos do zero para extrair o máximo de eficiência do trabalho conjunto entre motor térmico e motor elétrico. Por isso, não se deve confundir com os mild hybrid, que usam motores elétricos pequenos e com atuação bem limitada para reduzir emissões.

No caso dos híbridos, estamos falando de uma solução em que a potência do motor elétrico pode até superar a do motor a combustão e, inclusive, operar por uma parcela maior do tempo - tudo isso sem necessidade de recarga. Toyota e Renault, por exemplo, divulgam que seus modelos conseguem rodar em modo elétrico por mais de 60% dos trajetos urbanos.

Um passo à frente na eletrificação

A ausência alemã nesse tipo de tecnologia está perto do fim. O primeiro modelo do Grupo Volkswagen a adotar um full hybrid pode ser “made in Portugal”. Estamos falando da nova geração do Volkswagen T-Roc, um dos SUVs mais vendidos da Europa.

Volkswagen T-Roc, Autoeuropa e Palmela

Produzido na Autoeuropa, em Palmela, esse modelo aparece como um dos candidatos mais fortes para estrear a nova solução. A apresentação está prevista para muito em breve - e você poderá acompanhar todas as informações em primeira mão na Razão Automóvel.

Ainda há poucos detalhes confirmados, mas a possibilidade mais forte aponta para a adaptação de um motor já conhecido: o 1.5 TSI (com ciclo de combustão Miller), combinado com um motor elétrico de alta potência, alimentado por um pequeno pack de baterias.

Isso não representa um retrocesso na eletrificação; continua sendo avanço. Não é um avanço tão ousado quanto apostar apenas nos 100% elétricos, e sim uma escolha mais pragmática: uma tecnologia capaz de reduzir emissões sem criar limitações para quem não pode - ou simplesmente não quer - ter um carro elétrico.

Afinal, apesar de todos os incentivos, grande parte dos europeus ainda não quer abrir mão da liberdade de deslocamento que, por enquanto, só os motores a combustão entregam. E se as soluções forem econômicas e confiáveis, melhor ainda.

É justamente esse conjunto de vantagens que tem impulsionado a Toyota na Europa. A marca japonesa é a segunda mais vendida no continente, e seus motores híbridos têm sido a tecnologia mais escolhida. A Volkswagen sabe disso e entendeu o essencial: não dá mais para perder tempo.

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