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TikTok volta ao centro das críticas por expor jovens a conteúdos de risco

Adolescente triste usando celular no quarto com laptop aberto e mulher observando ao fundo.

O TikTok voltou a ser alvo de críticas.

“83% dos 15 a 24 anos dizem ter sido expostos, nos últimos 12 meses, a conteúdos que representam um risco para a saúde.” Essa é uma das conclusões de uma pesquisa do Ifop para a Fundação April, especializada em prevenção em saúde, e para a Fundação Jean-Jaurès, compartilhada pelo Le Parisien.

Na mesma linha, 77% dos jovens entrevistados afirmam ter mudado o próprio comportamento depois de assistir a um conteúdo em uma rede social - um indicativo claro do poder de influência dessas plataformas.

O que a pesquisa do Ifop aponta sobre jovens e conteúdos de risco

Os dados reforçam a ideia de que, para uma parcela significativa de jovens, o contato com conteúdos potencialmente nocivos não é pontual, mas recorrente ao longo de um ano. Além disso, a declaração de mudança de comportamento após consumir esse tipo de material evidencia que a exposição pode ter efeitos práticos.

Experiência com perfil falso de adolescente no TikTok

Para verificar isso na prática, uma jornalista criou um perfil falso de adolescente: Chloé, 13 anos - a idade mínima para se cadastrar no TikTok. Para não interferir no algoritmo, ela passou pelos stories sempre no mesmo ritmo e não curtiu nem comentou nada.

No começo, os conteúdos surgem sem um padrão evidente: o astro marseillês Jul aparece cantando rap, uma pizza gigante vira destaque, ou um funcionário de uma companhia aérea começa a cantar. Porém, em pouco tempo, o tom muda e começam a chegar vídeos muito pessimistas, marcados por tristeza e sofrimento.

Citado pelo jornal, o pesquisador Arthur Grimonpont, autor de “Algocracia” (Ed. Actes Sud), comenta:

Esses conteúdos sobre mal-estar capturam a atenção dos jovens; como resultado, eles ficam conectados o máximo possível. Esse é o modelo econômico do TikTok.

Com o passar dos dias, a experiência reforça a impressão de que a usuária fictícia fica presa em uma bolha algorítmica, recebendo um bombardeio de stories perturbadores. Entram em cena conteúdos sobre automutilação e até “a vontade de se matar é encenada de maneira glamourosa e tendência”. A jornalista acrescenta:

“Você quer se matar?” Ele mostra uma banheira cheia de água para que a gente se afogue. Depois, imagens de caixão ficam em looping, como se estivessem mostrando o que ainda falta fazer.

Vale lembrar que, no ano passado, já havíamos mencionado um relatório da ONG Amnesty International, que traz novas evidências sobre como a rede social expõe usuários mais jovens a conteúdos que podem ser prejudiciais. Assim como no relato descrito acima, o algoritmo chega a normalizar - e até idealizar - a depressão, a automutilação ou o suicídio.

TikTok se defende

Procurado, o TikTok respondeu que “essa experiência foi concebida para chegar a um resultado predeterminado” e diz que faz o possível para proteger usuários jovens. “Nove em cada dez vídeos que infringem nossas regras [são] removidos antes mesmo de serem vistos”, afirma a plataforma.

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