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Neumark Nord: Neandertais caçavam elefantes de presas retas europeus há 125.000 anos

Homens pré-históricos esculpindo presas de elefante próximos a elefantes e animais selvagens à beira de um lago.

E se humanos antigos tivessem planeado caçadas a animais maiores do que qualquer elefante vivo hoje? Uma investigação recente na Alemanha indica que isso pode ter acontecido.

Há cerca de 125.000 anos, Neumark Nord, no nordeste da Alemanha, era uma paisagem lacustre abundante. O sítio, em Saxônia-Anhalt, já revelou fósseis de mais de 70 elefantes-de-presas-retas europeus.

Esses animais foram os maiores mamíferos terrestres do seu tempo: chegavam a até 4 metros de altura e podiam pesar até 13 toneladas.

Os lagos atraíam muitos bichos, garantindo aos Neandertais uma fonte constante de alimento. Com o passar do tempo, cientistas identificaram sinais inequívocos de que humanos caçaram e processaram esses elefantes no local.

Por isso, Neumark Nord se tornou um dos melhores pontos para compreender como os humanos antigos viviam e caçavam.

Dentes de elefante revelam a vida no passado

Uma equipa internacional da Alemanha, dos Países Baixos e dos Estados Unidos analisou dentes de elefantes para reconstruir aspetos do seu modo de vida.

Nesses dentes, ficaram registadas informações sobre deslocamentos, alimentação e até sobre o sexo dos animais.

O trabalho foi liderado por cientistas da Universidade Goethe de Frankfurt e do Instituto Max Planck de Química.

“Thanks to isotope analyses, we can trace the movements of elephants almost as if we had a travel diary that has been preserved in their teeth for more than one hundred thousand years,” destacou a autora principal do estudo, Elena Armaroli.

Os dentes indicaram que alguns elefantes viveram em regiões diferentes ao longo de muitos anos. Na prática, cada dente conseguia “guardar” cerca de 8 a 10 anos da vida do animal, oferecendo um retrato detalhado das suas deslocações.

Longas viagens pela Europa

“Some of the elephants we studied were animals that did not stay in just one area,” afirmou o coautor do estudo Federico Lugli.

“Their teeth show that they traveled very long distances up to 300 kilometers before reaching what is now Neumark Nord. This allows us to reconstruct their home ranges and understand how these animals used the landscape.”

O padrão é semelhante ao observado em elefantes atuais: alguns se deslocam à procura de alimento ou água, enquanto outros permanecem mais próximos de uma área fixa.

O estudo indica que os elefantes antigos também apresentavam estilos distintos de movimento, incluindo migração e deslocamentos amplos por grandes regiões.

Diferenças entre machos e fêmeas

A equipa identificou três machos e uma provável fêmea.

Nos dados, os machos exibiram sinais de deslocamentos muito maiores do que a fêmea - algo alinhado ao comportamento dos elefantes modernos, em que machos frequentemente percorrem grandes áreas de forma mais solitária.

O trabalho também apontou que muitos dos elefantes caçados em Neumark Nord eram machos adultos. Isso pode não ter sido ao acaso: machos adultos tendem a viver com mais independência, o que poderia torná-los alvos mais fáceis para caçadores.

Como esses elefantes viviam

Os cientistas também investigaram a dieta desses elefantes. Os resultados mostram que eles se alimentavam principalmente de plantas de florestas e de áreas arborizadas mais abertas. No cardápio, havia folhas, gramíneas, arbustos e partes de árvores.

Alguns indivíduos viviam em ambientes mais abertos, enquanto outros se alimentavam em florestas densas. Um detalhe importante veio dos dados de carbono, que mostraram que certos elefantes se alimentaram sob cobertura de árvores.

Isso é conhecido como efeito de dossel (canopy effect), em que plantas que crescem sob árvores apresentam uma assinatura química diferente.

As fontes de água também influenciavam. Dados de oxigénio sugeriram que os elefantes bebiam em lagos, rios e até em fontes ligadas à chuva. Esses valores variavam com as estações, indicando períodos mais quentes e mais frios ao longo do ano.

Neandertais como caçadores organizados

As evidências indicam com força que os Neandertais não caçavam de forma aleatória.

“The concentration of remains and the isotope profile of the animals suggest that Neanderthals did not kill the elephants merely when a favorable opportunity arose,” observou Armaroli.

“Everything points to organized hunting in which even such enormous prey animals could be deliberately targeted. For this, Neanderthals must have known the landscape well, cooperated, and planned.”

Caçar um elefante não era simples. Os cientistas estimam que um grupo de cerca de 25 pessoas precisaria de 3 a 5 dias para abater e processar um único animal. Em compensação, só um elefante poderia render alimento suficiente por meses.

Um ecossistema rico e ativo

Neumark Nord não era apenas um local de caça: tratava-se de um ecossistema completo, onde humanos viveram por milhares de anos.

Os Neandertais caçavam animais, recolhiam alimentos vegetais como avelãs e bolotas e processavam carcaças em áreas diferentes.

Os lagos provavelmente funcionavam como pontos de concentração, tal como bebedouros hoje. Muitos animais vinham ali com regularidade, o que podia facilitar a caça.

Os cientistas também consideram a possibilidade de que humanos tenham usado fogo para moldar a paisagem e manter certas áreas mais abertas.

Neandertais conviveram com elefantes

“What we see at Neumark Nord is not a picture of mere survival, but of a population that understood its environment and interacted with it actively and in complex ways over a period of at least 2,500 years,” afirmou a coautora do estudo, a professora Sabine Gaudzinski Windheuser.

Ao mesmo tempo, algumas questões continuam em aberto.

“At least some of male elephants uncovered at Neumark spent some of their adolescence and young adulthood away from the Neumark lake land,” observou o professor Thomas Tütken.

“If Neumark was a point of attraction for elephants from different regions aggregating here or the Neumark area was the homeland of an elephant population, with individuals leaving the area for a certain time span, we can’t extract from isotopes alone.”

Estudos genéticos sobre os elefantes

“To answer this, researchers have started genetic studies,” disse Lutz Kindler.

“To understand the population dynamics of the Neumark elephants and with that Neanderthal hunting at Neumark, we have started a genetic study of the Neumark elephants.”

O conjunto dos resultados traça um quadro nítido: os Neandertais eram habilidosos, organizados e inteligentes. Viviam num ambiente rico, compreendiam o comportamento animal e cooperavam para caçar alguns dos maiores animais que já caminharam sobre a Terra.

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