Pular para o conteúdo

SARP Harpia, da ADTECH SD, se consolida como plataforma não tripulada estratégica no Brasil

Dois operadores controlam drone militar próximo ao oceano em local rochoso com equipamentos de monitoramento.

Adicione-nos aos favoritos no Google

Por que vale a pena? Assim, você recebe as novidades mais recentes da Zona Militar diretamente no seu feed.

Em um cenário de consolidação acelerada dos sistemas não tripulados como recursos estratégicos para operações militares, segurança pública e missões de apoio à sociedade, o SARP Harpia desponta como uma das plataformas aéreas remotamente pilotadas mais avançadas desenvolvidas na América Latina. Fabricado pela empresa brasileira Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH SD), em São José dos Campos (SP), o sistema combina longa permanência, operação BVLOS e alta versatilidade em uma solução pensada para atender demandas específicas do território brasileiro.

No último 13 de maio, a Zona Militar esteve nas instalações da companhia e acompanhou de perto etapas de fabricação, integração, validação operacional e a preparação de unidades do Harpia destinadas a uma missão real de busca e salvamento no litoral paulista.

Mais do que um simples veículo aéreo remotamente pilotado, o Harpia já figura entre as plataformas aéreas não tripuladas mais sofisticadas desenvolvidas pela Base Industrial de Defesa do Brasil. Com operação plena e emprego em missões reais no país, o sistema se afirma como uma solução estratégica nacional voltada às necessidades atuais de vigilância, monitoramento e reconhecimento de longa duração.

Visita técnica à ADTECH SD em São José dos Campos (SP)

A visita evidenciou não apenas o alto nível de maturidade do programa, mas também a infraestrutura industrial estruturada pela ADTECH SD em São José dos Campos, um dos principais polos tecnológicos e aeroespaciais do Brasil. Ao longo do roteiro técnico, a Zona Militar acompanhou desde a produção estrutural da aeronave até os procedimentos finais de integração dos sistemas embarcados.

Um dos pontos que mais chamou atenção foi a fabricação do fuselagem, que emprega compostos de alto desempenho - incluindo fibra de carbono, fibra de vidro e Kevlar. Esses materiais oferecem elevada resistência estrutural, redução de massa, melhor eficiência aerodinâmica e robustez operacional, atributos importantes para missões longas.

Também foi possível observar as fases de montagem da aeronave, integração eletrônica e instalação dos sistemas de navegação, comunicação e aviônicos, além dos laboratórios voltados à validação operacional e à integração das cargas úteis direcionadas a missões ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento).

Harpia em missão real de busca e salvamento (SAR) no litoral paulista

Durante a visita de 13 de maio às instalações da ADTECH SD, Angelo Nicolaci acompanhou ainda os preparativos operacionais para o envio de exemplares do Harpia que seriam utilizados em uma operação real de busca e salvamento no litoral paulista. A missão ocorreu em apoio às equipes de resgate e às autoridades de defesa civil mobilizadas após o desaparecimento de um jovem na região de São Sebastião, depois que ele entrou no mar para tentar salvar uma amiga.

Na ocasião, foi possível acompanhar não só testes estáticos dos sistemas da aeronave, a partida do motor e a validação dos enlaces de comunicação e navegação, como também os preparativos logísticos do veículo responsável por transportar a Ground Control Station (GCS) do Harpia. Posteriormente, essa estação seria usada como base móvel de operação durante as buscas no litoral norte paulista.

Os drones foram incorporados oficialmente à força-tarefa em 14 de maio, no quarto dia da operação, em um teatro de operações considerado extremamente desafiador: mar agitado, trechos costeiros de difícil acesso e riscos elevados para embarcações e equipes de resgate. Com o emprego das aeronaves remotamente pilotadas, a capacidade de monitoramento das áreas costeiras foi ampliada de forma significativa - especialmente em regiões rochosas, vãos entre costões e setores onde as condições do mar impediam uma aproximação segura tanto por embarcações quanto, em determinados momentos, pelo helicóptero empregado.

As atividades reuniram meios de órgãos públicos - como a Defesa Civil e o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) - e também iniciativas privadas e civis. No caso do Harpia, a plataforma da ADTECH SD foi usada para fornecer cobertura aérea prolongada e transmissão de imagens em tempo real aos times de busca, explorando uma das principais características do sistema: permanência estendida em voo por até 12 horas consecutivas e monitoramento em tempo real.

O acompanhamento desses preparativos permitiu à Zona Militar observar o Harpia em um contexto operacional real, destacando não apenas o nível de maturidade tecnológica alcançado, mas também sua crescente relevância em missões de apoio à sociedade, defesa civil, monitoramento de áreas críticas e operações de busca e salvamento (SAR), além de emergências de alta complexidade.

Capacidades, arquitetura e cargas úteis do SARP Harpia

O Harpia foi projetado para atuar em missões de vigilância de fronteiras, reconhecimento, monitoramento marítimo, proteção de infraestrutura crítica, acompanhamento ambiental e apoio a operações de segurança pública e defesa. Sua arquitetura considerou características próprias do Brasil - como extensas áreas de selva, longas distâncias, regiões de difícil acesso e a ampla área marítima associada à Amazônia Azul.

Atualmente, o sistema já opera nos estados do Acre e do Amazonas, onde vem sendo empregado em missões ligadas à vigilância, monitoramento e apoio a operações estratégicas em ambientes de alta complexidade, com ênfase na Amazônia. Mais recentemente, o Harpia também foi homologado para operar em centros urbanos por órgãos públicos, ampliando de forma expressiva seu uso em segurança pública, monitoramento urbano, proteção de infraestrutura crítica e vigilância em áreas densamente povoadas, além de tarefas de defesa civil como busca de pessoas desaparecidas e acompanhamento de áreas afetadas por desastres naturais.

Para Bruno Cunha, CEO da ADTECH SD, a concepção do Harpia partiu da necessidade de criar uma plataforma ajustada às demandas reais do país.

O Harpia foi desenvolvido desde uma perspectiva de emprego em operações no Brasil, condicionado por vastos espaços territoriais, densa selva, uma imensa faixa de fronteira e o entorno da Amazônia Azul. Desde essa perspectiva, a aeronave foi concebida para ser extremamente versátil”, afirmou Bruno Cunha, CEO da ADTECH SD.

Essa diretriz operacional fez com que a plataforma reunisse atributos considerados essenciais para missões complexas e de longa duração. De acordo com informações apresentadas pela empresa, o Harpia oferece autonomia superior a 12 horas, capacidade de operação BVLOS (Beyond Visual Line of Sight), alcance operacional ampliado e possibilidade de emprego em locais remotos sem necessidade de pistas preparadas.

Outro diferencial destacado é o método de lançamento por catapulta e a recuperação por paraquedas e airbag - uma solução que reduz de modo relevante a dependência de infraestrutura logística complexa e amplia o potencial de uso em regiões isoladas, áreas de fronteira, selva e ambientes com estrutura limitada.

Além disso, o Harpia pode receber diferentes configurações de cargas úteis, incluindo:

  • sensores eletroópticos;
  • câmeras infravermelhas;
  • mapeamento com radares de abertura sintética (SAR) ou por fotogrametria;
  • monitoramento de sinais (SIGINT);
  • soluções voltadas à inteligência, reconhecimento e aquisição de alvos.

Em um contexto internacional marcado pela expansão rápida do emprego de drones em conflitos contemporâneos - especialmente após as experiências observadas na guerra entre Rússia e Ucrânia -, a ADTECH SD afirma ter escolhido priorizar robustez operacional, confiabilidade tecnológica e maturidade dos sistemas embarcados.

O Harpia aposta por robustez e segurança de operação, com tecnologias já validadas e exaustivamente testadas para emprego em missões ISTAR, tendo tido sucesso em provas de conceito e operações tanto no Brasil quanto internacionalmente”, apontou Bruno Cunha, CEO da ADTECH SD.

A empresa ressalta que, embora o mercado global tenha sido inundado por diferentes modelos de drones nos últimos anos, poucas plataformas conseguem reunir, em um único sistema, longa autonomia, confiabilidade operacional, flexibilidade logística e maturidade tecnológica.

A ausência de restrições ITAR e o alto índice de nacionalização tornam o Harpia particularmente atraente para países latino-americanos e outras nações interessadas em ampliar capacidades de vigilância e monitoramento sem depender de forma excessiva de grandes fornecedores internacionais.

Certificações, homologações e nacionalização

Outro tema tratado durante a visita foi o processo complexo de certificação enfrentado ao longo da consolidação operacional da aeronave.

Um dos principais desafios do projeto Harpia foi, sem dúvida, as barreiras burocráticas relacionadas às certificações. Embora sejam extremamente necessárias para a segurança, o processo é lento e complexo, tendo demandado quase cinco anos para a emissão da certificação definitiva do projeto”, explicou Bruno.

Atualmente, o Harpia está homologado para operações BVLOS pela ANAC e certificado como Produto Estratégico de Defesa (PED), condição vista como fundamental para programas associados à soberania tecnológica e à independência operacional brasileira.

Ao mesmo tempo, a ADTECH SD avalia que o domínio tecnológico nacional é um fator central para assegurar autonomia em áreas críticas da defesa.

O Harpia é integralmente fabricado no interior do estado de São Paulo, em São José dos Campos, com tecnologia, experiência e mão de obra nacional, contando com pouquíssimos componentes importados devido à ausência de equivalentes no Brasil ou na região”, declarou Bruno Cunha.

Durante a visita, ficou claro que o Harpia vai além de uma plataforma aérea remotamente pilotada. O sistema expressa a capacidade da Base Industrial de Defesa brasileira de entregar soluções complexas, competitivas e tecnologicamente maduras em um dos segmentos mais estratégicos do momento.

Nesse contexto, o Harpia aparece não apenas como uma solução brasileira de alto nível tecnológico, mas também como uma alternativa estratégica para Brasil, América Latina e outros países que buscam plataformas eficazes fora do eixo tradicional Estados Unidos–Europa. Sem restrições políticas, embargos e limitações frequentemente associadas a grandes fabricantes internacionais, o sistema Harpia reúne autonomia operacional, flexibilidade logística e independência estratégica.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário