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O “setembro eterno” da internet depois de 1993

Jovem sentado em mesa com computador antigo e notebook aberto, trabalhando em ambiente iluminado.

Existem duas fases da internet: a que veio antes de setembro de 1993 e a que surgiu depois. Em 2026, ainda há quem tenha usado aquela rede antiga, sinta saudade e se refira a esse período como “setembro eterno”.

Se você é da geração Z ou da geração Y, é muito provável que não tenha vivido a internet anterior - a que existia antes do início do “setembro eterno” em 1993. Ainda assim, talvez você já tenha esbarrado nessa expressão em um post de blog, em um comentário de fórum ou em uma publicação no X. Isso acontece porque algumas pessoas idealizam aquela era, enquanto outras usam 1993 como paralelo para explicar a transformação que a IA vem provocando no ambiente digital. Mas, afinal, do que estamos falando?

Na prática, a internet de antes de 1993 tinha outra dinâmica porque era uma ferramenta de acesso restrito, concentrada em um grupo pequeno: universitários e entusiastas que conversavam no conjunto de fóruns do Usenet. A popularização da internet para o grande público, porém, começou em setembro de 1993 nos Estados Unidos (e depois se espalhou para outros países). A partir daí, o cenário mudou por completo.

Por que se fala em “setembro eterno”?

Antes de existirem planos de internet voltados ao público em geral, os participantes costumavam seguir um conjunto de boas práticas conhecido como “netiqueta”. “A primeira regra que faziam questão de aplicar era nunca agir on-line - ainda mais sob anonimato - de um jeito diferente de como você agiria na vida real”, explica, por exemplo, um internauta no X. Na visão dele, a internet atual parece mais uma versão “mais selvagem” do mundo fora das telas.

A única exceção tradicional era o mês de setembro, quando chegavam novos calouros - estudantes de primeiro ano - que ainda não conheciam as normas da comunidade. Mesmo assim, com o tempo, esses recém-chegados acabavam se ajustando ao aprenderem os códigos de convivência on-line. O que mudou em 1993 foi que passou a existir uma entrada constante de novos usuários. E, para quem estava acostumado à internet anterior, foi como se setembro de 1993 nunca terminasse. Daí nasce a ideia de “setembro eterno”.

Um mundo utópico

Em uma entrevista recente ao podcast de David Senra, o empresário Marc Andreessen, cofundador da Netscape, diz que quem viveu aquela fase costuma descrever a internet pré-1993 com um tom quase utópico. “Era literalmente como se tivéssemos reunido milhões das pessoas mais brilhantes do mundo em uma rede, sem qualquer atividade comercial nem publicidade”, afirma.

“As discussões no Usenet eram simplesmente espetaculares. Era incrível”, acrescenta o empresário, comparando esse ambiente “puro, limpo e intelectual” a Atenas em 500 a.C. Marc Andreessen ressalta, no entanto, que, para ele, a democratização da internet continua sendo algo positivo. “Fico feliz que isso tenha acontecido”, garante, enquanto aponta a diferença entre as duas eras da rede.

O que se pensa: estamos vivendo outra grande virada

De todo modo, as mudanças que a inteligência artificial está trazendo para a web lembram o conceito de setembro eterno. Um exemplo é Ashley Wolf, diretora de programas de código aberto no GitHub (uma plataforma voltada a desenvolvedores), que menciona um novo “setembro eterno” no universo do software open source, já que a IA facilita a produção de código e as contribuições.

No campo das publicações e das conversas na internet, a chegada da IA também vem alterando o cenário. Afinal, aparecem cada vez mais artigos, posts de blog e comentários que dão a impressão de terem sido escritos por uma IA.

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