A expansão da inteligência artificial e as dúvidas que ela desperta têm alimentado previsões preocupantes sobre o futuro do trabalho - mas o ex-chefe científico de IA da Meta afirma que o cenário não é tão sombrio.
A inteligência artificial virou presença constante. Depois que o ChatGPT popularizou a inteligência artificial generativa, quase todo mundo passou a se preocupar com o impacto dessa tecnologia no emprego. A apreensão aumenta ainda mais quando o CEO da Anthropic e outros nomes de peso do setor falam em uma alta iminente do desemprego.
Nem todos, porém, compartilham desse pessimismo. Yann Le Cun, um dos principais pesquisadores da área, contesta essas previsões que considera desanimadoras e até perigosas. Para ele, a IA não vai “acabar” com os empregos; ela tende a mudar a forma como o trabalho é feito.
IA: discursos alarmistas exagerados
Nos últimos anos, as falas de grandes empresas e líderes ligados à IA vêm ganhando um tom cada vez mais alarmista. Muitos repetem que a inteligência artificial deixará todo mundo sem trabalho. Nesse ambiente, as novas gerações ficam mais inseguras com o futuro e podem chegar à ansiedade e até à depressão.
Yann Le Cun, ex-diretor de inteligência artificial da Meta, alerta para esse tipo de previsão, que ele classifica como exagerada. Ele defende que, nesse debate, vale mais acompanhar o que dizem economistas do que executivos de tecnologia - especialmente de empresas de IA. Na visão dele, esses dirigentes têm incentivo para amplificar o impacto dos próprios produtos e, por isso, não devem ser tratados como fontes realmente confiáveis.
Entrevista à Axios: onde estaria o risco real da inteligência artificial
Em entrevista ao Axios, Yann Le Cun relativiza o “apocalipse da IA” que vem sendo comentado há meses. Ele afirma que os perigos não estão exatamente na inteligência artificial em si, mas no fato de decisões importantes e determinantes para a vida passarem a se apoiar no que a IA afirma.
Ele reconhece que algumas empresas, de fato, reduziram equipes usando a inteligência artificial como justificativa. Ainda assim, ressalta que uma destruição massiva de empregos não se concretizou - e, para ele, não há indicação de que isso vá acontecer.
Yann Le Cun (ex-Meta) e o emprego: por que os jovens não devem desistir
Para o pesquisador, os mais jovens não deveriam “jogar a toalha” por medo de não encontrar trabalho. Pelo contrário: é importante que sejam incentivados a continuar estudando.
Ele aponta que os dados atuais vão na direção oposta das preocupações: a inserção profissional de recém-formados estaria melhorando e a taxa de desemprego estaria caindo, de acordo com o ZipRecruiter. Yann Le Cun também compara o avanço da inteligência artificial a outras revoluções tecnológicas, como a informática e a automação. “Não há nada de fundamentalmente diferente entre as revoluções tecnológicas anteriores e esta; é apenas um novo conjunto de ferramentas que nos torna mais eficientes”, afirmou.
Embora se multipliquem discursos sobre uma suposta catástrofe iminente no emprego por causa da inteligência artificial, os dados disponíveis parecem mais tranquilizadores. As novas gerações, portanto, devem evitar ceder ao medo.
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