Pular para o conteúdo

Tim Cook deixa a Apple e recebe post insultuoso de Donald Trump no Truth Social

Homem de cabelos grisalhos em escritório moderno mostra tela de celular enquanto está sentado à mesa com laptop.

Há homenagens das quais ninguém sente falta. Quando Tim Cook comunicou que deixaria o comando da Apple, dificilmente imaginaria receber uma mensagem agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua própria rede social, a Truth Social.

Donald Trump na Truth Social: a “homenagem” que virou insulto

Em 20 de abril de 2026, Tim Cook anunciou oficialmente sua saída da liderança da Apple. A notícia - com tudo para marcar o ano - gerou, como era de se esperar, uma avalanche de reações e leituras sobre o que vem a seguir para a empresa. Donald Trump, claro, também correu para comentar e “elogiar” Tim Cook. Só que não exatamente.

Em um post longo publicado na Truth Social, o presidente americano narra um episódio do seu primeiro mandato: segundo ele, Tim Cook teria ligado para apresentar um *“problema bem grande”* (cuja natureza Trump não revela em nenhum momento). Trump diz ter ficado “impressionado” por receber a ligação e, em seguida, afirma, com a maior naturalidade:

Eu estava muito impressionado por o chefe da Apple me ligar para me lamber o c**.

O restante do texto alterna entre autopromoção e uma generosidade cuidadosamente calculada. Trump se descreve como um facilitador quase providencial - alguém que “quebra um galho” para grandes executivos sem jamais cobrar um centavo de “consultores muito caros” (expressão que ele repete duas vezes, com um incômodo mal disfarçado).

Tim Cook, por sua vez, aparece no relato como um lobista exemplar: não liga “nunca demais”, apresenta o problema e sai com favores presidenciais na mão.

Um sistema de lobby por telefone no topo do poder

Para além do insulto, Trump descreve abertamente - e, ao que tudo indica, sem notar a gravidade - um modelo em que CEOs das maiores empresas do mundo vão defender seus interesses diretamente com o presidente dos Estados Unidos, e em que o acesso ao poder pode ser negociado em poucas ligações.

Tim Cook: um lobista afiado

Vale lembrar que Tim Cook sempre apostou na proximidade com governos sucessivos, independentemente de sua orientação política. No período do Trump 1.0, ele teria conseguido, por exemplo, isenções de tarifas de importação para alguns produtos da Apple fabricados na China. Provavelmente é disso que Trump está falando quando menciona seus “grandes quebra-galhos”.

Essa habilidade é reconhecida pelo próprio presidente, que o chama de “um gestor e líder incrível”, antes de acrescentar que, em certas ocasiões, também diz não quando Tim Cook “é agressivo demais no pedido”.

Com a Apple no centro de uma guerra comercial com a China, com tensões crescentes em torno da sua cadeia de produção e com a transição para a IA bastante atrasada, John Ternus, sucessor de Tim Cook, terá muito trabalho.

Ainda assim, ele poderá contar com o próprio Tim Cook, que passa a ser presidente executivo do conselho de administração. Entre suas atribuições, o ex-CEO da Apple deverá… conduzir a relação com as grandes potências políticas do mundo. Incluindo a Casa Branca.

O que achamos

Donald Trump sendo Donald Trump: nenhuma oportunidade parece pequena demais para o presidente americano puxar os holofotes para si. Enquanto o mundo inteiro presta tributo ao trabalho excelente feito por Tim Cook (ele fez a valorização da Apple disparar, transformando-a em uma das empresas mais bem avaliadas do planeta), Trump sugere que nada disso teria acontecido sem seu intervencionismo.

Além de o sucesso da Apple depender de muitos outros fatores, Trump ainda dá a entender que grandes empresas globais só precisam ligar para o presidente para fechar pequenos acordos entre amigos. Já houve comunicação melhor.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário