No território ocupado de Zaporizhzhia, operadores de drones da Ucrânia destruíram um radar 35N6 Kasta, peça-chave da vigilância aérea russa em baixa altitude. Atingido em uma área que Moscou considerava relativamente protegida, o equipamento perdido deve representar um custo de 60 milhões de euros para as forças de Vladimir Poutine.
Em quatro anos, a guerra na Ucrânia mudou de forma profunda a maneira como os dois lados disputam o espaço aéreo. Drones kamikazes, munições de espera e sistemas de defesa antiaérea passaram a definir o ritmo do conflito: controlar o céu virou um objetivo tão decisivo quanto avançar no terreno. Nesse cenário, a 23ª brigada Khortytsia da Guarda Nacional da Ucrânia acaba de realizar uma ação de alto impacto.
Seus operadores de drones conseguiram destruir um radar 35N6 Kasta, posicionado em profundidade no território ocupado da região de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia. A área, sob controle parcial da Rússia desde 2022, concentra instalações militares que até agora eram vistas por Moscou como menos vulneráveis às ações ucranianas. A brigada descreveu a missão como um “ataque cirúrgico”.
Um papel central no sistema de defesa antiaérea russo
O 35N6 Kasta está longe de ser um radar comum. Ele é voltado para monitorar o espaço aéreo em baixa altitude - justamente a faixa em que os radares tradicionais costumam ter pior desempenho. E é exatamente nesse nível que operam os drones ucranianos e as munições guiadas de precisão, dois recursos que vêm causando os maiores danos nas linhas de retaguarda russas.
A importância dele na cadeia de defesa antiaérea da Rússia é decisiva: o sistema detecta alvos, faz o rastreamento e repassa os dados aos meios terra-ar encarregados de tentar interceptá-los. Sem esse tipo de sensor, baterias de mísseis ficam parcialmente “cegas”, com menor capacidade de reagir a tempo diante de ameaças aéreas que se aproximam.
Por isso, a destruição do radar gera, de imediato, pontos cegos no dispositivo de vigilância russo. Na prática, isso cria janelas de oportunidade para as forças ucranianas: missões com drones de reconhecimento, ataques de precisão e até a penetração no espaço aéreo com menor chance de disparar os alertas habituais.
Nossa análise
O radar é avaliado em cerca de 60 milhões de euros. Trata-se de um equipamento especializado, demorado para fabricar e ainda mais complexo de repor para uma Rússia pressionada por sanções ocidentais e com a indústria militar já levada ao limite.
Dessa forma, o ataque também evidencia a capacidade cada vez maior da Ucrânia de alcançar infraestruturas críticas longe da linha de frente, afetando o conjunto do sistema logístico e defensivo do Exército russo.
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