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Mercedes-Benz EQC: o primeiro SUV elétrico de produção em série da marca

Carro elétrico Mercedes EQC cinza conectado a estação de carregamento em ambiente interno com janelas e montanhas ao fundo.

O Mercedes-Benz EQC não foi o primeiro elétrico a levar a estrela no capô, mas é quase como se tivesse sido. Ele inaugura, de fato, a fase de produção em série da marca nesse tipo de carro: por enquanto, a meta é produzir 100 unidades por dia, com previsão de dobrar esse ritmo em 2020 - ainda que chegue ao mercado com um certo atraso.

Enquanto isso, as principais rivais já tinham se mexido. A BMW apareceu antes com o pequeno i3 - e um iX3, concorrente direto do EQC, só chega em 2020 -; a Audi colocou na rua o ainda recente e-tron; e até a Jaguar, menor em volume, se adiantou com o excelente I-Pace. Sem falar na pioneira Tesla.

E que lugar faria mais sentido para conhecer o novo Mercedes-Benz EQC do que a Noruega, vista por muitos como a “capital” mundial dos elétricos?

À primeira olhada, o EQC pode passar por um GLC. Não é coincidência: os dois dividem a plataforma e saem, inclusive, da mesma linha de montagem. Diferentemente da Jaguar, a Mercedes-Benz - assim como a Audi e como a BMW pretende fazer com o futuro iX3 - não adotou uma base exclusiva para elétricos de produção em massa. É uma estratégia que reduz risco, especialmente diante das dúvidas que ainda cercam a viabilidade financeira dos carros elétricos.

Assim como o e-tron, o EQC também evita “gritar” que é elétrico: por fora, lembra um automóvel “convencional”, isto é, um veículo com motor a combustão. O resultado é um SUV de dois volumes bem marcados, que se parece com um GLC mais elegante, com linhas mais suaves e aerodinâmicas (C_x de apenas 0,27). Ambos têm a mesma distância entre-eixos de 2783 mm, mas o EQC é 11 cm mais comprido (4761 mm).

Essa sensação de ser “mais um carro” continua por dentro. Embora haja bastante espaço a bordo, não existe aquela percepção de amplitude típica de elétricos desenvolvidos sobre plataformas dedicadas. Aqui, a impressão é de um interior mais acolhedor - em parte pelo assoalho mais alto, consequência direta do pacote de baterias sob os pés.

Mais que um GLC elétrico

Chamar o EQC de “apenas” um GLC com propulsão elétrica não estaria tão longe da realidade, mas a história não é tão simples. Quando se observa o que foi feito sob a carroceria, fica claro que há um mérito técnico relevante: adaptar tudo isso de forma que o EQC possa ser montado na mesma linha de produção do GLC.

"Chega a impressionar até como é que esta generosa massa rolante é capaz de manter ritmos dignos de um hot hatch numa estrada sinuosa."

A mudança mais evidente está, naturalmente, no encaixe do conjunto de baterias na plataforma. Elas ficam no piso, entre os eixos, e somam 80 kWh - 90 kWh no i-Pace, 95 kWh no e-tron. São 384 células, organizadas em seis módulos (dois com 48 células cada e quatro com 72 células cada), trabalhando com 405 V e capacidade nominal de 230 Ah.

Por estarem tão baixas e por serem muito pesadas (650 kg), as baterias ajudam a baixar o centro de gravidade, com benefícios claros para o comportamento dinâmico, apesar dos 2495 kg que o EQC registra na balança - já chegamos lá…

O Mercedes-Benz EQC usa dois motores elétricos, um em cada eixo, cada qual com 150 kW (204 cv). Na soma, são 408 cv e 760 Nm disponíveis imediatamente ao pisar no acelerador. Mesmo com potência idêntica, cada motor tem uma vocação: o dianteiro prioriza eficiência, e o traseiro fica mais voltado à performance. Em uso normal, é o motor dianteiro que movimenta o EQC na maioria das situações.

Ao afundar o acelerador sem hesitar, 5,1s são suficientes para chegar aos 100 km/h - e a força que cola o corpo ao encosto não deixa de surpreender, mesmo com quatro pessoas a bordo, como pude confirmar.

Aos comandos, “nada de novo”

No banco do motorista, o EQC é inconfundivelmente Mercedes-Benz - algo que o exterior nem sempre deixa tão óbvio. A cabine tem ótima montagem, bons materiais e um desenho conhecido, mas com detalhes próprios. Chamam atenção as saídas de ar, que abandonam o formato circular tipo turbina e adotam um desenho retangular, pintado em um tom específico Rose Gold - pessoalmente, aprovo: parece mais bem resolvido no conjunto…

Como era de se esperar, o painel é dominado pelos dois displays horizontais do sistema MBUX, aqui com funções exclusivas do EQC, principalmente as relacionadas à gestão da carga e ao processo de recarga.

A ampla faixa de regulagens elétricas do banco e do volante ajuda a encontrar rapidamente uma boa posição de dirigir, e a visibilidade é positiva - a coluna A atrapalha em uma ou outra situação muito específica, mas nada sério. O Mercedes-Benz EQC mantém o botão de partida e permite iniciar a condução depois de selecionar “D” na alavanca atrás do volante - até aqui, bem no estilo Mercedes…

Shhh… Dá para ouvir o silêncio

Ao arrancar, a primeira impressão é… silêncio. Ok, já sabemos como elétricos podem ser quietos, mas no EQC o isolamento acústico sobe de nível. Foi um dos pontos que mais recebeu atenção dos engenheiros da marca, com foco especial em reduzir o ruído de rodagem.

E o resultado é difícil de contestar: o carro isola muito bem, a ponto de parecer quase como entrar numa cabine à prova de som… Os sons que chegam ao interior parecem vir de longe.

Há vários modos de condução - Comfort, Eco, Max Range, Sport e Individual - e, levando em conta os alertas constantes sobre limites de velocidade nas estradas norueguesas, Eco e Comfort deram conta do recado, sobrando pouco espaço para explorar o potencial de desempenho e dinâmica do modo Sport.

Com as velocidades mais contidas, foi possível notar o alto nível de conforto a bordo, um peso de direção - não tão leve quanto se poderia imaginar - e um ótimo tato nos pedais, especialmente no freio, algo nem sempre simples de acertar, principalmente na passagem entre a frenagem regenerativa e a convencional.

Travagem regenerativa, um modo de vida

Falando em regeneração, há cinco níveis: D Auto, D + (sem regeneração), D, D -, D –. No nível mais forte, o D –, dá para conduzir apenas com o pedal do acelerador, sem encostar no freio, já que a regeneração desacelera o carro com eficiência (as luzes de freio acendem), mesmo em descida.

A seleção desses níveis é feita pelas aletas atrás do volante - as mesmas que, em um carro a combustão com câmbio automático no modo manual, serviriam para trocar marchas.

Essa nova função das aletas acaba entregando um efeito muito parecido com o do freio-motor, ajudando a segurar as velocidades (que já são limitadas) nos declives noruegueses, ou permitindo deixar o carro em “roda livre” em trechos planos, sem acelerar. Pelo uso frequente, as aletas viram parte essencial da experiência ao volante.

2500 kg… Será capaz de curvar?

Sim - e com mais competência do que o número sugere. Mesmo com poucas chances de “esticar” o Mercedes-Benz EQC, deu para perceber uma carroceria com rolagem quase inexistente e um comportamento neutro quando se chega ao limite de aderência, com boa resistência à tendência de sair de frente. Some a isso a resposta imediata dos motores elétricos, que sempre arrancam um sorriso em acelerações mais fortes.

Mas os 2500 kg continuam lá, e em movimento. É fácil demais entrar rápido em uma curva - e é principalmente nas frenagens mais exigentes que toda a massa do EQC fica evidente. Em dinâmica, um Jaguar i-Pace pode ser tão ou mais eficiente e ainda empolgar mais, mas o Mercedes-Benz EQC não decepciona.

Quantos cafés tenho de tomar para a bateria carregar?

Depende muito do local de recarga - e vale acompanhar o cafezinho com um doce… e talvez um jornal. Durante a apresentação, carregamos o EQC na rede IONITY, a rede europeia de estações de recarga rápida (até 350 kW) - que ainda não tem nenhuma estação em Portugal.

Por enquanto, o EQC aceita carregamento de até 110 kW e, nos 10-15 minutos em que ficou conectado, a bateria saiu de 35-36% para perto de 50%, embora a potência recebida tenha se estabilizado por volta de 90 kW. Usando todo o potencial de recarga, 80% da bateria é atingido em 40 minutos.

Com carga completa, a autonomia fica entre 374 km e 416 km (WLTP) - variando conforme o nível de equipamento -, e o consumo combinado é de 22,2 kWh/100 km. Considerando a limitação das velocidades praticadas, em alguns trechos foi possível baixar de 20 kWh.

São números bastante competitivos, especialmente no que diz respeito à autonomia, ainda mais quando se considera que alguns rivais usam baterias de maior capacidade.

Em Portugal

O Mercedes-Benz EQC já pode ser encomendado em Portugal, com as primeiras unidades previstas para chegar às concessionárias no fim de outubro. O preço começa nos 78 450 euros, abaixo dos mais de 80 mil euros cobrados por e-tron e i-Pace.


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