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Japão e Coreia do Sul retomam exercício naval de busca e salvamento (SAR) após nove anos

Dois marinheiros com uniformes branco seguram maca com pessoa vestida de laranja em barco, com navios militares e helicóptero

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A Força Marítima de Autodefesa do Japão e a Marinha da Coreia do Sul realizaram um novo exercício naval de busca e salvamento (SAR) em águas a oeste das Ilhas Gotō, marcando a retomada desse tipo de treinamento bilateral após quase nove anos. Segundo informações divulgadas pela força naval japonesa, a atividade contou com o destróier japonês JS Kongō, um helicóptero SH-60K e o navio sul-coreano ROKS Cheon Ja Bong.

Exercício SAR Japão–Coreia do Sul: o que foi feito no mar

De acordo com a Força Marítima de Autodefesa do Japão, o treinamento teve como foco elevar suas próprias capacidades táticas e, ao mesmo tempo, aprofundar a cooperação com a Marinha sul-coreana. A ação, classificada como um exercício bilateral de busca e salvamento, ocorreu em 7 de junho e incluiu manobras SAREX, operações de convés cruzado, atividades LINKEX e um PHOTOEX - conjunto voltado a ampliar a coordenação entre meios navais e aéreos.

O ponto mais relevante do dia foi o caráter inédito desde 2017: tratou-se da primeira atividade desse tipo entre Japão e Coreia do Sul desde então. Nesse sentido, a publicação da própria força japonesa ressaltou que o exercício foi realizado “pela primeira vez em nove anos,” enquanto o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que a iniciativa decorreu dos entendimentos firmados em janeiro com seu homólogo sul-coreano, Ahn Gyu-back.

Acordos em Yokosuka e a retomada da cooperação de defesa

Conforme o Ministério da Defesa do Japão, os dois ministros se reuniram em Yokosuka em 30 de janeiro, ocasião em que concordaram sobre a necessidade de impulsionar a cooperação bilateral em defesa diante de um ambiente regional cada vez mais complexo. Na declaração conjunta, Tóquio e Seul decidiram retomar exercícios humanitários de busca e salvamento entre suas forças navais e também estimular intercâmbios de pessoal, visitas recíprocas e contatos regulares entre as autoridades de defesa.

O valor operacional do treinamento de busca e salvamento (SAR)

A volta desse treinamento pode ser lida tanto pelo lado operacional quanto pelo político. No plano estritamente militar, exercícios SAR permitem ensaiar procedimentos comuns para emergências marítimas, organizar comunicações, treinar a transferência de informações táticas e fortalecer a interoperabilidade entre navios e aeronaves.

A presença do SH-60K - helicóptero embarcado operado pela força japonesa - e do ROKS Cheon Ja Bong - um navio de desembarque da Marinha da Coreia do Sul - ampliou o escopo do evento para além de uma simples prática de busca.

Para além do SAR: sinal político-militar e atritos anteriores

No eixo político-militar, o exercício representa mais um passo no processo de reconstrução dos vínculos de defesa entre Japão e Coreia do Sul. Embora ambos sejam aliados-chave dos EUA no Indo-Pacífico, a relação bilateral passou anos condicionada por disputas históricas, diplomáticas e militares.

Entre antecedentes que tensionaram a agenda estiveram a controvérsia de 2018 sobre a participação japonesa em uma revista naval sul-coreana e o incidente de radar envolvendo uma unidade da Marinha da Coreia do Sul e uma aeronave japonesa de patrulha marítima P-1.

Apesar dessas fricções, a piora do cenário de segurança regional levou os dois países a reabrirem canais de coordenação. Ameaças associadas ao programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, o aumento da atividade naval chinesa e a necessidade de fortalecer a arquitetura de segurança do Indo-Pacífico aparecem como fatores por trás do novo impulso de cooperação entre Tóquio e Seul.

Essa reaproximação também se encaixa em um movimento mais amplo de cooperação trilateral com os EUA. Na mesma linha, desde 2023, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos avançaram em mecanismos de troca de informações sobre lançamentos de mísseis norte-coreanos e no planejamento de exercícios combinados, reforçando uma pauta comum em vigilância, defesa antimísseis e segurança marítima.

Dentro desse quadro, o exercício a oeste das Ilhas Gotō não deve ser entendido como uma manobra de combate, e sim como um treinamento humanitário com implicações relevantes em interoperabilidade. As atividades SAREX, de convés cruzado, LINKEX e PHOTOEX ajudam a aprimorar procedimentos aplicáveis tanto em operações de assistência quanto em cenários mais complexos - sobretudo quando as forças participantes precisam compartilhar informações e operar em proximidade.

Para o Japão, a atividade também se conecta ao objetivo declarado de ampliar a cooperação com parceiros regionais sob o conceito de um Indo-Pacífico livre e aberto. Para a Coreia do Sul, por sua vez, funciona como um indicativo de continuidade na normalização dos laços de defesa com Tóquio, sem ignorar as sensibilidades políticas internas que historicamente moldaram a relação bilateral.

Segundo o que declarou o ministro Koizumi, a realização do exercício abre “um novo capítulo” na cooperação e no intercâmbio em defesa entre os dois países. Na prática, o ponto a observar é se essa retomada ficará restrita a uma ação pontual ou se evoluirá para uma agenda sustentada de exercícios navais bilaterais, visitas de navios e maior coordenação entre a Força Marítima de Autodefesa do Japão e a Marinha da Coreia do Sul.

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