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Presente de Erdogan na cúpula da OTAN em Ancara vira dor de cabeça: revólver com seis cartuchos

Reunião formal com arma em estojo aberto e duas mãos estendidas para cumprimento na mesa.

O presente entregue pelo presidente turco a cada um dos líderes que estiveram na cúpula da OTAN, realizada em Ancara - um revólver acompanhado de seis cartuchos de munição - gerou perplexidade e, principalmente, um transtorno considerável para logística e segurança.

O revólver de Recep Tayyip Erdogan na cúpula da OTAN em Ancara

Foi o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, quem primeiro falou publicamente, na quarta-feira, sobre a lembrança incomum que Recep Tayyip Erdogan ofereceu aos convidados.

Durante o voo de volta de Ancara, após dois dias de reuniões entre chefes de Estado e de governo da Aliança Atlântica, Starmer relatou que o presidente turco havia dado a cada líder um revólver com o respectivo nome gravado.

A peça vinha em uma caixa vermelha, com interior preto, que também trazia seis cartuchos e um documento que isentava a arma de controles de exportação.

Repercussão entre as delegações e as equipes de segurança

Segundo fontes próximas de diferentes líderes, o presente causou forte inquietação e acabou provocando cenas inusitadas dentro dos serviços de segurança das delegações.

Além do desafio prático, a escolha do presente também despertou incompreensão entre representantes presentes na cúpula, que teve como foco a Ucrânia, o Irã e as relações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Procedimentos na Bélgica e nos órgãos da União Europeia em Bruxelas

No caso belga, por exemplo, apenas depois da chegada as equipes do primeiro-ministro Bart De Wever "souberam a natureza exata do presente".

A comitiva explicou hoje que o primeiro-ministro "ficou surpreendido e entregou-o imediatamente à polícia do aeroporto para que pudesse ser guardado num cofre seguro e tratado de acordo com os procedimentos aplicáveis".

A equipe de segurança de De Wever também ficou responsável por receber as armas destinadas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa - duas instituições com sede em Bruxelas -, com todas as implicações de segurança e protocolo que uma operação desse tipo envolve.

Ainda de acordo com um porta-voz, a presidente da Comissão Europeia, tão surpreendida quanto os demais líderes, "agradeceu este gesto ao presidente Erdogan" e planeja doar a arma "a um museu militar" assim que ela for desativada.

O precedente na Polônia e a cautela redobrada

O revólver entregue ao presidente polonês, Karol Nawrocki, chegou sem incidentes, mas cercado pelos cuidados habituais e com um episódio dramático recente ainda presente na memória.

Em dezembro de 2022, o chefe da polícia polonesa retornou da Ucrânia com um lança-granadas antitanque que havia recebido como presente.

O artefato explodiu em seu escritório, provocando ferimentos leves e danos relevantes na sede da polícia em Varsóvia.

Desta vez, "é certo que ninguém o disparará", disse um integrante da equipe do presidente Nawrocki a uma rádio local.

Armas que permaneceram em Ancara e o impasse do transporte

Vários dos revólveres doados pelo presidente turco - como os destinados a Keir Starmer e ao chanceler alemão Friedrich Merz - ficaram na capital turca, já que, em certos casos, as regras para transportar armas de fogo, sobretudo quando funcionais, estão longe de ser simples.

Sobre o exemplar entregue ao primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, a equipe informou em nota que a arma "terá de ser transportada para a Suécia seguindo os procedimentos adequados".

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