Enquanto os Estados Unidos tentam colocar cadeados nas suas IAs mais perigosas por medo de ciberataques, a China acabou de desmontar essa estratégia. O lançamento do modelo GLM-5.2 é a prova disso.
O bloqueio de Mythos 5 nos Estados Unidos
Em junho, o governo Trump provocou um terremoto no Vale do Silício ao obrigar a Anthropic a retirar às pressas o Fable 5 e o Mythos 5, seus dois modelos mais recentes de inteligência artificial. O estopim foi o pânico nos altos escalões depois que pesquisadores demonstraram que as barreiras de segurança da IA podiam ser contornadas.
Projetado para programar na escala de um software inteiro, o Claude Mythos se mostrou extremamente eficiente para encontrar falhas de segurança inéditas. E, diante do risco de essa tecnologia ser militarizada por potências estrangeiras, Washington reagiu com firmeza ao bloquear sua exportação.
Embora o Mythos 5 tenha sido autorizado a voltar no início de julho, o acesso continua superrestrito: ele fica limitado a cerca de cem organizações americanas selecionadas a dedo, como agências do governo e bancos. Só que, ao que tudo indica, a China também tem um modelo temível.
GLM-5.2: o equivalente chinês sem barreiras de segurança
A startup Z.ai, antes conhecida como Zhipu AI e apontada como um dos “tigres da IA” na China, acabou de lançar o GLM-5.2. Segundo especialistas, esse modelo de grande porte entrega desempenho excepcional em programação, competindo diretamente com os líderes americanos.
Open-weight e licença MIT: por que o GLM-5.2 muda o jogo
A diferença é que, ao contrário da Anthropic, a Z.ai disponibilizou o GLM-5.2 em open-weight, ou seja, sob a licença livre MIT: qualquer pessoa pode baixar seu código e seus parâmetros internos. Com isso, o modelo pode rodar localmente em máquinas privadas - uma liberdade total que preocupa profundamente especialistas no Ocidente, que se veem impotentes diante da disseminação desse nível de capacidade tecnológica.
Especialistas demonstram preocupação
A Semgrep testou o modelo e publicou suas conclusões com ironia: “Temos o Mythos em casa”. Isso porque os benchmarks indicam que a IA chinesa é muito forte para identificar vulnerabilidades de software, superando até alguns agentes especializados americanos, com um custo irrisório de 17 centavos por bug detectado. Já a empresa Graphistry avalia que este seja o primeiro modelo de acesso livre a oferecer uma experiência cibernética de nível “fronteira”. O risco, agora, é concreto.
Em fóruns russófonos, já circulam métodos para “destravar” o modelo
E o estrago já começou: hackers já trocam métodos para destravar completamente o modelo em fóruns de língua russa. O suficiente para aumentar o temor do pior quando o assunto é cibersegurança…
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