A Meta estaria trabalhando em um tipo diferente de óculos conectados: um dispositivo pensado para gravar e escutar o usuário de forma permanente.
Desde que as redes sociais se popularizaram, a privacidade vem sendo pressionada. Agora, a Meta poderia avançar mais um passo com óculos conectados que ficariam sempre ativos, capturando áudio e imagem a qualquer hora do dia - e também da noite.
Como os óculos conectados da Meta funcionariam
A informação foi divulgada pelo Financial Times. Por enquanto, a ideia ainda estaria na fase de concepção, mas a proposta seria direta: criar um produto sempre “à escuta”. Na prática, os óculos conseguiriam registrar som continuamente e tirar fotos em intervalos de poucos segundos para aumentar a eficiência.
A lógica por trás disso seria tornar a IA embutida bem mais precisa quando o usuário fizer perguntas. Se a pessoa quiser saber algo sobre o que aconteceu ao longo do dia, os óculos só precisariam “percorrer” a linha do tempo registrada para localizar a resposta. Com isso, a Meta estaria mirando mais do que um acessório vestível: seria, na visão do projeto, um assistente de IA capaz de organizar e conduzir aspectos da nossa rotina.
Óculos que apostam na IA, não na privacidade
Como é de se esperar, um produto assim seria um pesadelo para a privacidade. Segundo o Financial Times, a própria forma como esses óculos seriam desenhados já levantaria problemas. Um exemplo: a luz de LED que sinaliza gravação poderia deixar de existir. Afinal, que sentido teria alertar quem está por perto se a câmara capturaria fotos o tempo inteiro?
Além disso, os ficheiros de áudio e vídeo poderiam ser guardados num servidor remoto para que a IA os utilize, tanto para responder às solicitações do usuário quanto para treinar o algoritmo. A Meta “se limitaria” a recolher metadados, e não os próprios ficheiros - ainda assim, isso abre questionamentos sérios. E há um último ponto sensível: essas capacidades também poderiam chegar a modelos já lançados.
Um protótipo ainda sem confirmação oficial
Esses óculos ainda não seriam um produto pronto: seriam um protótipo em desenvolvimento nos laboratórios da Meta. A empresa da Califórnia não comentou as alegações, mas disse ao Financial Times que cada produto é orientado por “proteção da privacidade desde a concepção”. Isso basta para gerar confiança numa companhia que, há mais de 20 anos, é associada ao enfraquecimento da nossa privacidade?
O que muda para quem não estiver a usar os óculos
Os óculos conectados tendem a aparecer cada vez mais no dia a dia. Há quem, como Mark Zuckerberg, enxergue neles o dispositivo que substituirá o smartphone - uma transição que preocupa.
O usuário realmente quer que a Meta tenha acesso à vida inteira, inclusive aos momentos mais íntimos? A questão é ainda mais delicada para quem não comprar esses óculos e, mesmo assim, pode virar uma cobaia involuntária: essas pessoas seriam filmadas sem saber.
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