O governo dos Estados Unidos vem acelerando a agenda para elevar o número de deportações e, entre as medidas mais recentes, está a ideia de montar uma frota própria de aviões dedicada a esse objetivo - informalmente chamada de “ICE Air”.
A proposta, que ganhou visibilidade no verão de 2025, prevê que o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) compre e mantenha aeronaves para voos de deportação, com a meta de dobrar a capacidade mensal atualmente disponível.
Como os voos de deportação do ICE funcionam hoje
No modelo em vigor, o ICE contrata transportadoras terceirizadas para executar os voos de remoção. Entre as empresas citadas estão Avelo Air, Eastern Air Express, GlobalX Air, Omni Air International e World Atlantic Airlines. Para essas companhias, os contratos tendem a representar receitas previsíveis.
Esse movimento ocorre em paralelo à promessa de ampliar as deportações, uma meta repetida pelo ex-presidente Trump, que defendia a remoção de um milhão de imigrantes sem documentação por ano.
Aquisição de aeronaves e o plano de lançamento do “ICE Air”
Em 2025, o Departamento de Segurança Interna (DHS) comprou seis Boeing 737-700 por cerca de 140 milhões de dólares, adquiridos da própria Avelo - que, após a venda, encerrou sua atuação em voos de deportação.
A intenção é que a operação seja lançada oficialmente até julho de 2027. Na largada, o plano considera essa frota de seis 737-700, além de dois jatos Gulfstream G650ER (configurados como C-37B), destinados a apoiar não apenas deportações, mas também missões emergenciais e voos charter de alto risco.
Orçamento ampliado e o custo estimado por voo
Apesar de a compra dos aviões exigir um aporte elevado, o orçamento do ICE foi reforçado pelo chamado “big, beautiful bill“, elevando os recursos para mais de 75 bilhões de dólares. Desse total, 30 bilhões são reservados especificamente para deportações - um aumento marcante em relação aos 9,5 bilhões anuais anteriores.
Ainda assim, o custo de cada voo de deportação é estimado entre 100 mil e 200 mil dólares, considerando aeronave, tripulação, segurança e suporte médico.
Terceirização da operação e dúvidas sobre economia
Um detalhe que chama atenção é que, mesmo com a frota adquirida, o DHS pretende manter a contratação de empresas para operar os voos na prática - incluindo fornecimento de pilotos, comissários, equipe de segurança e pessoal médico.
Isso alimenta questionamentos sobre onde estariam as economias prometidas ao contribuinte, já que a execução permanece dependente de contratos externos enquanto o governo assume os custos fixos associados à propriedade das aeronaves.
Também se discute se a restrição atual realmente está na disponibilidade de aviões para locação. Operadores privados, em geral, conseguem ampliar capacidade para atender picos de demanda e reduzir quando necessário. A compra de aeronaves pode diminuir essa flexibilidade, especialmente se o cenário migratório mudar e a necessidade de deportações cair.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário