Se ainda existisse alguma incerteza sobre a união entre a PSA e a FCA que deu origem à Stellantis, a divulgação dos primeiros resultados anuais do grupo tratou de eliminá-la por completo.
Em um período impactado pela crise dos semicondutores e pela alta nos custos das matérias-primas, o “jovem gigante” do setor automotivo entregou números históricos - tomando como referência o desempenho combinado de FCA e PSA em 2020.
Para começar, a receita líquida chegou a 152 mil milhões de euros, representando um avanço de 14% em relação ao valor somado que PSA e FCA haviam registrado juntas.
O resultado operacional ajustado também veio muito forte: praticamente dobrou e alcançou 18 mil milhões de euros, com uma margem sólida de 11,8% e, além disso, com todos os segmentos apresentando rentabilidade.
E os destaques não param por aí. O resultado líquido totalizou 13,4 mil milhões de euros, quase três vezes acima do apurado no exercício anterior. Para completar, as sinergias geradas pela fusão ajudaram a cortar despesas e se converteram em um benefício líquido de 3,2 mil milhões de euros.
Um ano atarefado
No seu ano inaugural, a Stellantis colocou no mercado mais de 10 modelos novos, com atenção especial à estratégia de eletrificação e à expansão dos veículos de baixas emissões. Hoje, esses modelos já somam 34 no portfólio da Stellantis.
Ao longo de 2021, a Stellantis comercializou 388 000 unidades de veículos de baixas emissões, o que representa um salto de 160%. Uma parcela relevante desse volume foi composta por furgões elétricos, resultado que levou o grupo à liderança nas vendas de furgões elétricos na Europa.
Ainda no tema de veículos comerciais, em 2021 a Stellantis reforçou sua posição no mercado global do segmento ao manter a liderança na Europa e na América do Sul, além de ter atingido o maior volume de vendas de picapes de sua história em nível mundial.
Os mais vendidos
Diversos modelos tiveram peso direto no bom desempenho da Stellantis em 2021. Na América do Norte, o Jeep Wrangler 4xe foi o híbrido recarregável mais vendido para clientes particulares nos EUA.
Na América do Sul, por sua vez, a Stellantis alcançou uma participação de mercado de 22,9%, garantindo a liderança regional (e, em veículos comerciais, a fatia chegou a 30,9%).
Já na Europa (EU30, que reúne 30 mercados), além de ter ficado no topo entre os veículos comerciais com 33,7% de participação, o grupo comandado pelo português Carlos Tavares também viu o Peugeot 208 fechar como o modelo mais vendido, enquanto o 2008 assumiu a liderança do segmento B-SUV.
Resultados recorde, funcionários premiados
Com os números expressivos, a Stellantis decidiu premiar seus funcionários ao redistribuir 1,9 mil milhões de euros - 770 milhões de euros a mais do que o montante repartido no exercício anterior pelas duas empresas (FCA e PSA), uma alta de 70%.
Sobre essa redistribuição de lucros, Carlos Tavares declarou: “Os empregados são o coração de Stellantis. Foi graças ao seu contínuo foco na execução e na excelência que conseguimos alcançar resultados recorde no nosso primeiro ano como Stellantis (…) O nosso objetivo é que todos os colaboradores beneficiem do crescimento rentável da empresa”.
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