Depois de conhecermos o Citroën ë-C4 na configuração 100% elétrica, a marca do Double Chevron apresenta uma nova silhueta, com “ares” de fastback, embora mantenha exatamente a mesma base e o mesmo conjunto mecânico.
Visto de frente, o ë-C4 X quase não muda, mas basta olhar de lado e para a traseira para perceber onde estão as diferenças. O teto segue um traço mais contínuo e desce até o porta-malas, razão pela qual a Citroën prefere chamá-lo de liftback.
Ainda assim, trata-se “apenas” de uma carroceria de quatro portas, agora com um porta-malas em formato mais tradicional. Em relação ao Citroën ë-C4 de cinco portas (sem o X), o comprimento aumenta 24 cm, chegando a 4,6 m.
Quando as primeiras imagens desse novo formato apareceram, há cerca de um ano, não faltou quem dissesse que ele já nascia “condenado”. Porém, se considerarmos que um possível antecessor pode ser, por exemplo, o C-Elysée, é preciso reconhecer que o salto foi grande.
Assim como ele, o novo Citroën ë-C4 X foi pensado para ser um carro global e atender diferentes mercados, inclusive o nosso. No Brasil/Portugal (conforme o mercado), existe uma opção com motor a gasolina, mais convencional, e uma 100% elétrica - exatamente a que avaliamos.
Arrojado, mas não muito
Na dianteira, aparecem os traços de família já comuns na maioria dos modelos franceses da marca. As luzes de condução diurna formam uma espécie de “X”, e os faróis ficam divididos em elementos separados. O emblema do Double Chevron se integra bem às linhas do conjunto e ganha bastante destaque.
Na parte inferior da carroceria e ao redor das caixas de roda, os apliques em plástico escuro dão ao Citroën ë-C4 X uma aparência que lembra a de um SUV. Esse efeito também é reforçado por uma altura em relação ao solo mais generosa, que ajuda a compor uma imagem mais robusta.
Como era de se esperar, as mudanças mais evidentes estão na traseira do ë-C4 X, por conta da linha de liftback vinda do teto. As lanternas têm desenho bem atual e iluminação em LED. E, no topo da tampa do porta-malas, há uma interpretação mais discreta de uma ducktail.
Habitáculo sem surpresas
Assim que assumimos o volante do Citroën ë-C4 X, encontramos bancos de couro com ajuste elétrico e uma posição de dirigir bem acertada. Por outro lado, a espuma mais densa dos assentos exige um pequeno período de adaptação.
No painel, novamente, não há novidades em relação ao modelo de cinco portas. Em outras palavras, este C4 traz um quadro de instrumentos bem compacto e uma tela central sensível ao toque no topo. Ela já adota a nova interface de usuário, embora nem sempre seja simples localizar a função desejada.
Os comandos do câmbio e dos modos de condução são os mesmos que já vimos em dezenas de modelos do Grupo Stellantis. Em compensação, felizmente, os controles principais do ar-condicionado continuam físicos e fáceis de alcançar.
Alguns materiais, contudo, pedem evolução: há plásticos rígidos demais e um acabamento pouco caprichado em certas extremidades.
Espaço disponível “lá atrás”
Sem ser referência, o espaço no banco traseiro é suficiente, tanto para as pernas quanto para a altura. Ainda assim, quando colocamos lado a lado com outros carros 100% elétricos - que costumam ter um entre-eixos mais generoso, pensado para acomodar a bateria do sistema -, o ë-C4 X ficou abaixo do que esperávamos.
Já no porta-malas, o volume é bem amplo: são 510 litros de capacidade, passando a impressão de que cabe “tudo e mais um pouco”. Só que há um ponto negativo por ser um terceiro volume, mesmo que disfarçado. Para acessar o compartimento, é preciso usar a tampa do porta-malas, cuja abertura é limitada e complica a entrada de volumes maiores.
Simplicidade em destaque
Ao dirigir o Citroën ë-C4 X, a palavra que resume quase tudo é simplicidade. Os três modos de condução (Eco, Normal e Sport) alteram potência, torque e velocidade máxima, em três níveis bem definidos.
Apesar disso, o maior trunfo do modelo está mesmo no conforto e no esforço para manter o ambiente a bordo o mais tranquilo possível - daquele tipo ideal para levar a gente para casa depois de um dia mais pesado.
Por outro lado, como não há “autorização” para empregar materiais de qualidade superior e mais caros, percebemos mais ruídos aerodinâmicos do que seria desejável, por exemplo.
Para equilibrar esse aspecto, o investimento em uma suspensão reforçada, capaz de “sobreviver” em cenários mais “austeros”, foi bem direcionado. Na prática, o Citroën ë-C4 X encara muitas das “atrocidades” que surgem no centro da cidade com grande facilidade, sem comprometer a sensação de conforto no interior.
Autonomia e consumo
Nesta configuração, há um único motor elétrico, com 136 cv de potência, 260 Nm de torque e tração dianteira. Com a bateria de 50 kWh, a autonomia máxima declarada fica por volta de 360 km. Para chegar perto disso, porém, é preciso dirigir de forma moderada e evitar abusos nas acelerações; caso contrário, o Citroën ë-C4 X se afasta bastante desse número.
No nosso teste, por exemplo, rodamos 43 km consumindo apenas 15% da carga da bateria, e a autonomia indicada ficou em 286 km. Depois de mais alguns quilômetros em cidade e autoestrada, sempre com o ar-condicionado ligado, a autonomia caiu para 128 km e a porcentagem para 48%, enquanto o hodômetro parcial marcava 135 km.
Quanto ao consumo, a média divulgada pela Citroën gira em torno de 16 kWh/100 km. Acreditamos, no entanto, que seja um valor obtido no modo mais econômico e sem consumidores adicionais ligados (como o ar-condicionado, por exemplo).
Em um uso mais comum, registramos 17,4 kWh/100 km, e 18,7 kWh com maior participação de autoestrada - ou seja, com menos chances de regeneração de energia.
O “preço” da eletricidade
Não resta dúvida de que o Citroën ë-C4 X foi projetado a partir de uma lista de exigências que precisavam ser cumpridas, para que ele se tornasse uma das opções mais racionais e interessantes nos diversos mercados a que se destina.
Ainda assim, por ser um automóvel 100% elétrico, com motor, bateria, carregador e outros componentes mais modernos, o preço segue longe do ideal, ultrapassando 40 mil euros na versão de entrada.
No nível de equipamento Shine Pack, no topo da gama do Citroën ë-C4 X, a unidade testada já vem bem completa, com itens como bancos de couro com ajuste elétrico e função de massagem, por exemplo. A desvantagem é que isso empurra o valor para muito perto da marca de 45 mil euros.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário