Os estudos de Raymond Kurzweil, engenheiro e futurologista norte-americano, voltaram a colocar essa possibilidade no centro do debate.
Entre os desejos antigos que atravessam as civilizações há séculos, poucos são tão arrebatadores quanto o da imortalidade humana - rivalizando até com a busca pelas nossas origens. A ideia do Homem imortal pode, enfim, ganhar contornos concretos graças aos extraordinários avanços tecnológicos do nosso tempo. Kurzweil, autor e diretor de engenharia do Google desde 2012, apresenta em seu livro mais recente, The Singularity is Nearer, uma tese particularmente ousada: os nanorobôs poderiam ser a chave para travar o envelhecimento humano e abrir caminho para uma longevidade de mil anos.
Raymond Kurzweil, Google e The Singularity is Nearer
Tanto nas páginas do livro quanto em um texto publicado na Wired, Kurzweil sustenta que a combinação entre nanotecnologia e inteligência artificial pode esconder o segredo dessa longevidade. Para ele, o envelhecimento decorre do acúmulo gradual de falhas nas células a cada divisão. Se as terapias antienvelhecimento atuais buscam reduzir esses erros para favorecer a regeneração do corpo, o objetivo de Kurzweil é diferente: “curar o próprio envelhecimento”, um plano que ele considera viável com os avanços da nanotecnologia.
Os nanorobôs: guardiões da nossa juventude?
Na visão proposta, a ideia é implantar várias centenas de bilhões de nanorobôs em cada corpo humano, atuando sem parar na reparação e no aprimoramento de órgãos que falhem. Ainda que esse cenário soe quase fantasioso, Kurzweil afirma acreditar que esses minúsculos autômatos médicos permitirão, em breve, ultrapassar as limitações biológicas atuais.
Uma visão futurista contestada
Como era de se esperar, a promessa de uma vida de muitos milhares de anos por meio de nanorobôs traz consigo dúvidas e polêmicas. As consequências éticas e sociais de uma imortalidade assim seriam imensas. É difícil não pensar no impacto de uma longevidade ampliada sobre a demografia global, os recursos naturais e a própria organização das sociedades. Também cabe perguntar se essa tecnologia seria, de fato, aceitável. Abrigar centenas de bilhões de robôs dentro do corpo. Para quê?
Viabilidade, utilidade e o lugar da morte
Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, há motivos de sobra para questionar a viabilidade e a utilidade de um projeto desse tipo. A morte é parte essencial da experiência humana; abrir mão dela pode, para alguns, parecer um pesadelo. Realidade ou fantasia de engenheiro? Vale lembrar que Kurzweil também integra o Army Science Advisory Board, um comitê federal dos Estados Unidos no qual assessora o Exército em temas ligados às nanotecnologias. Ele aparenta estar convencido de que elas podem ser um remédio para todos os males, inclusive para a mudança climática.
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